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Crise afeta São Paulo Fashion Week e obriga mundo da moda a se reinventar

17 mar 2017
18h04
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A recessão econômica vivida no Brasil foi sentida na São Paulo Fashion Week (SPFW), um evento que neste ano recorreu ao "see now, buy now" para tentar driblar a crise.

A passarela mais importante do país ficou órfã em sua 43ª edição de alguns grandes nomes da moda brasileira, como Ronaldo Fraga, Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço, e apostou em novos estilistas e marcas, como Sissa e Two Denim.

Ficaram para trás os gloriosos nomes da SPFW nos quais desfilava a supermodelo Gisele Bündchen, uma embaixadora do mundo da moda que conseguia atrair para o Brasil os olhares de todo o mundo.

A despedida de Gisele, em 2015, foi acompanhada pela chegada da crise econômica, que afetou o evento com a queda de orçamento e o número de patrocinadores.

Apesar disso, a SPFW conseguiu fazer neste ano um bom casting e manteve sobre a passarela outras grandes modelos internacionais, como a brasileira e anjo da Victoria's Secret, Isabeli Fontana, que conseguiu cativar o público com as propostas da próxima temporada.

Para manter a audiência, os estilistas levaram as roupas diretamente da passarela para as lojas, um fenômeno que cada vez ganha mais marcas para dar aos clientes a possibilidade de comprar as peças imediatamente depois dos desfiles.

A mudança, que já conta com adeptos em todas as partes do mundo, foi produzida pelas novas demandas de um consumidor que procura o imediatismo na hora de fazer compras.

"A moda está mudando, não só no Brasil, mas no mundo todo. Na São Paulo Fashion Week, especificamente, não se pode negar que a crise econômica afetou, mas existe também uma readaptação das próprias marcas com o novo momento do consumidor", afirmou à Agência Efe o editor-chefe do site de moda Lilian Pacce, Jorge Wakabara.

Importantes marcas brasileiras, como a Osklen e a Ellus entraram totalmente na "fast fashion", mas esta também foi a razão que fez com que grandes nomes da "alta moda" deixassem o tapete vermelho nesta edição, como Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho.

"Acredito que quando você quer aumentar as vendas, que é o caso do 'see now, buy now', você diminui a capacidade de arriscar criativamente", ressaltou Wakabara.

Esse não foi o caso da Ratier, que abriu hoje o último dia da SPFW com uma coleção ousada para o próximo inverno. A marca buscou inspiração na Romênia para compor peças repletas de mistério e misticismo e usou ícones do universo imaginário desse país do leste europeu, como os vampiros.

A coleção, dirigida tanto para homem como para a mulher, contou com tecidos nobres como o Jacquard, com bordados repletos de simbologia e produzidos exclusivamente para Ratier na França.

O estilista também abusou do veludo e brincou com a renda, o couro e a lã, tudo isso em uma paleta de cores em tons grená, negro, bege e branco.

Em uma atmosfera enigmática, apostou por vestidos com transparências, calças e complementos trabalhados, como um espetacular colar em forma de serpente que guardava semelhança com a icônica peça desenhada pela Bulgari.

A LAB, do cantor de rap Emicida, encerrará nesta sexta-feira os 31 desfiles que passaram pela SPFW, uma marca que conseguiu espaço no mundo da moda graças a suas propostas urbanas e descontraídas.

EFE   

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