
Sinceramente, tinha tudo para dar errado. O anúncio do local, um barco no rio Tietê; a distribuição de máscaras e capas de chuva, o transporte dos 200 convidados: nada dava a entender que seria mais do que uma simples ação de marketing, uma façanha promocional de quem tem pouco a dizer como marca de moda.
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» Sob chuva, Cavalera apresenta coleção no rio Tietê
Como a curiosidade faz parte de quem circula neste setor que descobre glamour até em lata de lixo, a platéia se deslocou pela chuva, lama, horas de van e ônibus até o tal barco, do projeto Navega São Paulo. Conforto zero, todos se acomodaram na arquibancada originalmente destinada aos fotógrafos. Estes, para proteger os equipamentos, se aboletaram na murada nos andares inferiores.
Sob a chuva incessante o elenco desceu escadas na margem até um plano, em silêncio. E a surpresa: com uma bela coleção! Coisa que ninguém esperava muito, com tanta programação prévia. Vestidos longos, com parkas; calcas xadrezes e hoodies (casacos com capuz) para os homens; muitos casacos pretos, em vários comprimentos, paletós com o símbolo de energia atômica em estampa localizada, bandeira nacional como echarpe.
Bastante emblemáticos, os tons de verde-radiação, os laranjas-cogumelos. Nos acessórios, botas cowboy, com estampas e decorações multicoloridas, irresistíveis, tipo tem-que-ter. Notaram o cuidado com o mainstream da moda? Botas caubói, calças em xadrez western, detalhes que integram a marca na turma avançada dos lançadores, um patamar ainda fora das qualidades da Cavalera.
Porque polêmicos, sempre foram. Já fizeram desfiles com papel higiênico; usaram as pistas do autódromo como passarela, debaixo de um sol torturante; atrasaram horas também em dia quente, nos jardins do Museu do Ipiranga: enfim é um currículo de calor e muitas esperas sem conforto. Agora, a atitude que concretizou uma posição em relação ao cuidado com o meio-ambiente deu trabalho para quem assistiu. Mas recompensou com o que mais se quer ver: uma bela coleção.
Iesa está na área da moda desde o final dos anos 60, quando começou no Jornal do Brasil como ilustradora. Passou à produção e redação nos anos 70. Trabalhou na revista Desfile, na sucursal das femininas da Editora Abril em 80, mas voltou ao JB como editora da revista Domingo.
Há 12 anos abriu o site www.estiloiesa.com.br e em 2001 criou o curso de Jornalismo de Moda no Senac Rio, que já está na sétima turma.