
Meninas com cabeças de veado, em lugar de chapéus, músicos com máscaras de coelho no fundo. A própria estilista com pose de pitonisa, apreciando o desfile inspirado na origem animal de Deus e no circo místico do futuro. Referências válidas, como qualquer referência na moda.
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Se Alexander McQueen pensou em bruxas para uma coleção, por que Giselle não pode dar sua versão das deusas indianas, figuras do tarô, penas de índios e outros personagens místicos?
Os macramês e franjas desfiados de tecidos deram os toques primitivos aos vestidos em verde-floresta e às calças tacheadas de cintura alta. A história fica mais explícita na capa de tramas de tiras de tecidos, como tressês em cores de camuflagem, um look com ar de mistério. Bonita, mas o casaquinho na mesma técnica, com babado nas mangas e na barra, é mais propício às magias do dia-a-dia.
Na ala das estampas, Giselle recupera o cashmere indiano, que prefere chamar de paisley, tradução em inglês dos desenhos de curvinhas e folhas. Esta estampa é empregada tradicionalmente em uma blusa para usar com saia preta, ou mais elaboradamente, recortada em quilt, formando novos desenhos em vestidos e saias.
Destaque para os sapatos de saltos metálicos a partir do calcanhar, assinados por Carol Baum para a Dilly.
Coincidência, a coleção da Giselle tem palas de camisas de cowboy em vários modelos, inspiração vista também em Reinaldo Lourenço, mas interpretada de forma diferente. Será que hoje é um dia "Western" na São Paulo Fashion Week?
Iesa está na área da moda desde o final dos anos 60, quando começou no Jornal do Brasil como
ilustradora. Passou à produção e redação nos anos 70. Trabalhou na revista Desfile, na sucursal das femininas da Editora Abril
em 80, mas voltou ao JB como editora da revista Domingo.
Há 12 anos abriu o site www.estiloiesa.com.br e em 2001 criou o curso de Jornalismo de Moda no Senac Rio, que já está na sétima turma.