| Reinaldo Marques/Terra |
 Tem muita nostalgia na coleção de Sommer |
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Parecia uma performance. Ou uma peça de teatro. E podia muito bem ser os dois. O desfile da coleção de inverno de Marcelo Sommer, inspirada na Islândia, transformou a sala 2 em um palco no último dia da São Paulo Fashion Week. O cenário, uma espécie de casa de madeira branca, foi montado no centro do espaço, reduzindo à metade a lotação do local. Uma pena. Muita gente ficou de fora do que pode ter sido o melhor desfile da 18ª edição do maior evento de moda da América Latina.
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Sommer trouxe para a passarela o universo gélido da Islândia, país no extremo-norte europeu. Não é a primeira vez que o designer se inspira em culturas típicas de países para criar coleções - o Japão e a Rússia já foram citados em momentos passados, mas de forma bem menos brilhante. Sommer conseguiu encontrar no isolamento geográfico do país de Björk o mote para o que é, sem dúvida, o melhor trabalho de sua carreira.
Ao som de artistas islandeses (trilha sonora de primeira com Sigur Rós e The Concretes), os modelos interagiam entre eles. Enquanto a personagem da top Luciana Curtis bordava, Constantin brincava de dardo na parede da casa branca. Tudo muito displicente. Como se o tempo demorasse a passar, como se não tivessem mais nada o que fazer (aí vem uma referência fortíssima ao fato de a Islândia ser um países com um cenário cultural bem fechado e com um dos índices de suicídio mais alto do mundo - para entender melhor, vale dar uma lida no livro Rumo a Estação Islândia, do jornalista Fábio Massari, e assistir ao documentário 101 Reykjavic, de Baltasar Kormakur).
Os looks de Sommer são todos muito fofinhos. As peças, a maioria feita em algodão, remetem a algo infantil, lembranças de um tempo que não volta mais. Tem muita nostalgia na coleção de Sommer. Culpa do frio.
Os volumes vêm nas saias de vestidinhos e trench-coats. Na parte de cima, tudo bem sequinho. Alguns babadinhos dão um ar romântico a batas e blusinhas. As calças e bermudas, tanto as masculinas como as femininas, também vêm retíssimas. Bordado e xadrez dão cor à coleção que Sommer pretendia tornar o mais crua possível.
O estilista não resistiu e colocou cores quentes (tem laranja e amarelo, por exemplo) em casaquinhos e moletons. Ainda nas estampas, a dispensável oncinha. Pode ter ficado sem essa. No mais, os tricôs de lã, que surgem lindos em vestidos e cachecóis. Fica a sensação de que assistimos a melhor apresentação do SPFW.
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