| Rogério Lorenzoni/Terra |
 Os looks de inverno de Fraga trazem muito dos anos 30, 40 e 50 em suas modelagens |
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Sai o luxo, entra a preciosidade, o sentimentalismo e o lirismo. Esta é aposta do estilista mineiro Ronaldo Fraga para o inverno 2005. Fraga trouxe para a passarela do São Paulo Fashion Week uma releitura bastante particular da obra do poeta conterrâneo Carlos Drummond de Andrade.
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O título da coleção sintetiza a idéia original, nascida há dois anos, quando o estilista ganhou as obras completas de Drummond de um amigo: Todo Mundo e Ninguém traz o singelo do universo "drummondiniano" traduzido em looks em que os detalhes ganham destaque.
Há espaço para a viagem no tempo. O primeiro aviso: um chapéu - que Fraga intitulou como "cordiais" - dado como brinde aos convidados da turma do burburinho é passaporte para o mundo de Drummond. Os looks de inverno de Fraga trazem muito dos anos 30, 40 e 50 em suas modelagens.
As calças culote vêm com tudo na coleção, que também prima pelas estampas. Bilhetes escritos pelo próprio poeta (Fraga teve acesso à biblioteca da casa de Drummond no Rio de Janeiro, onde resgatou fotografias e cartas do modernista) são estampados em camisas masculinas e vestidos em corte evasê - tendência no inverno.
Camisas e saias também retratam folhas de caderno arrancadas. O efeito - surpreendente, diga-se - é conquistado por meio de uma técnica de corte especial. No mais, muitas aplicações em pedrarias em blusas, vestidos e calças que resgataram os chevrons (tipo de tecido) e enalteceram o jeans brutos lavadíssimos, os filós e o voil. Na palheta de cores, Fraga elegeu o que ele chama do rosa-memória (envelhecido) e o verde-folha, que tem cara de desbotado.
Os acessórios, assinados por Marcelle Lawson-Smith, trazem reproduções de notas de CR$ 50,00, que vinham com a rosto de Drummond. Carol Trentini abriu e fechou o desfile.
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