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Sábado, 5 de julho de 2003, 18h03 
Entrevista: profissão stylist
 
Ana Paula Lima
 
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Muito se fala sobre o stylist, mas pouco se sabe sobre ele. Que ele é o profissional que dá a cara ao desfile, até aí todo mundo sabe, mas o que mais envolve essa carreira? Paulo Martinez, que assinou nessa temporada os desfiles da Vide Bula, Fause Haten e Sais, deu uma pausa na correria do backstage da segunda marca de Amir Slama (Sais) para desvendar um pouco mais dessa profissão.

Qual a formação de um stylist?
Como não existe uma faculdade, o ideal é que a pessoa tenha cursado Moda. Eu sou formado em Artes Plásticas, mas tinha um amigo que fazia produção, aí acabei fazendo alguma coisa, gostei e continuei. Fora isso, tive a sorte de trabalhar com algumas pessoas importantes, como a Regina Guerreiro, por exemplo.

O que é preciso para ser reconhecido?
Boa vontade. É preciso estudar muito, acompanhar todas as revistas, pesquisar bastante. Mesmo se não tiver grana, dá pra fazer por conta própria, por isso que boa vontade é o principal.

Quanto tempo de trabalho é preciso para a preparação do desfile?
É um trabalho contínuo. Eu sou consultor de moda da Vide Bula, por exemplo. É um trabalho que dura o ano todo. Com as coleções do Fause, começo a pensar com seis meses de antecedência e por aí vai.

No dia do desfile, é preciso ficar ligado em que? Alguma coisa merece mais atenção?
Tem que ficar de olho em tudo. Desde se a roupa da primeira entrada está correta, se a etiqueta foi tirada do sapatinho até se o cabelo está ok.

Quais são suas modelos preferidas? Por quê?
Tenho muitas, mas posso destacar a Carol Trentine e a Renata Klen. A Carol, por exemplo, tem o perfil dos desfiles que faço. Ela é muito jovem, magra, bem-comportada e tem a postura certa. Ela e a Renata são as mulheres que tem a cara dessa estação.

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Então quer dizer que as suas preferidas sempre vão mudar de acordo com a estação?
Não necessariamente, mas a profissão de modelo é muito cruel. Você pode estar na moda hoje e estar totalmente fora dela na estação seguinte. Não dá pra saber se a menina vai decolar ou não. Quem determina o perfil é o mercado.

Mas a modelo pode acompanhar as exigências do mercado, mudando de visual, de postura...
Isso é, mas o trabalho é muito mais da agência. É ela que deve encaminhar bem a carreira da modelo e filtrar alguns trabalhos. Até os amigos a gente escolhe, não? A Renata, por exemplo, pegou 28 desfiles nessa temporada, fez tudo, de A a Z. Tudo bem, ela precisa passar por isso para se destacar e chamar a atenção da imprensa, mas agora, cabe a agência filtrar os trabalhos e adotar uma linha só para ela.

Qual o cúmulo da moda nessa estação?
Sapato caramelo para os homens e falta de cuidado para as mulheres.
 
Redação Terra