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Quarta, 2 de julho de 2003, 17h42 
Herchcovitch dá toque refinado a festa junina
 
Reinaldo Marques/Terra
Mistura de cores, cortes e tecidos marcam o desfile de Herchcovitch
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O estilista Alexandre Herchcovitch transformou a passarela do São Paulo Fashion Week numa festa junina elegante nesta quarta-feira, embalada ao som suave de cirandas de Heitor Villa-Lobos.

Num arraial na cor branca do chão às bandeirinhas suspensas, o estilista criou uma série de peças com referências dos anos 40, principalmente nos vestidos ajustados ao corpo e barra abaixo do joelho, e dos 80, expondo lingeries sobre camisetas, misturando camisas com bermudas e trazendo elementos do streetwear.

A parte mais esportiva da apresentação trouxe bermudas e calças jeans costuradas com fio dental, uma das invenções de Herchcovitch nesta temporada. Em vez de lavagens muito especiais, ele preferiu investir nos recortes, que lembravam os retalhos que as mães costumam costurar nas calças dos filhos durante essas festas. Ao olhar para o interior do Brasil e para a simbologia das festas de junho, Herchcovitch resgatou camisas xadrez, vestidos de algodão com a barra rodada e ousou misturar vária cores e estampas diferentes na mesma peça, exatamente como os vestidos de chita.

A silhueta, entretanto, abandonou os volumes das últimas coleções, ficando bem justa ao corpo. Bermudas de cintura baixa tinham sutiãs estilo corpete como acompanhamento, transformando a roupa de baixo feminina no carro-chefe da produção.

Nas peças mais sofisticadas, como os vestidos de chiffon e musselina, ele costurou retalhos em marrom, azul e rosa para formar um efeito visual que lembrava as bandeirinhas coloridas imortalizadas nos quadros de Volpi.

Os laços que tradicionalmente amarram os vestidos das meninas nas festas juninas mudaram de lugar, funcionando com o interferências nas laterais de vestidos.

Aos poucos as cores fortes tomaram conta da passarela, com a cor creme de fundo, acompanhada por peças estampadas em vermelho com toques de amarelo, motivos de pássaros e looks claros, transmitindo uma sensação de frescor.

"Toda a inspiração veio do folclore e da espontaneidade com a qual o brasileiro se veste", disse Herchcovitch a jornalistas depois da apresentação. "Me senti livre para misturar várias cores e estampas no mesmo desfile."

Nos rostos das modelos, nenhum destaque especial para a maquiagem, já que o cabelo frisado formava uma grande mecha que cobria boa parte do rosto, como os chapéus femininos do pós-guerra. Nos pés, sandálias de plástico, desenvolvidas pelo estilista para a marca Melissa.

"Foi um desfile de muito bom gosto, sem referências lá de fora", disse o editor de moda da revista Vogue, Giovanni Frasson.

Essa brasilidade estilizada e original deverá ter boa aceitação no exterior, principalmente em Paris, onde Herchcovitch integra o calendário oficial de desfiles há quatro anos.

No final da apresentação, o estilista Clodovil Hernandes, que pela primeira vez assistia ao desfile de Herchcovitch, levantou-se da cadeira para lhe dar um buquê de flores brancas.

"Ele é danado", disse Clodovil, uma das referências na história da moda brasileira entre as décadas de 60 e 80.
 

Reuters

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