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SP Fashion Week
Terça, 3 de fevereiro de 2004, 13h43 
6º dia tem Zé do Caixão, roqueiras e guerrilheiras
 
Rogério Lorenzoni/Terra
Zé do Caixão inspirou Herchcovicth
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No penúltimo dia de desfiles do São Paulo Fashion Week, na segunda-feira, Alexandre Herchcovitch prestou uma homenagem a José Mojica Marins e seu personagem Zé do Caixão. Enquanto alguns dos clássicos do cineasta eram exibidos em telões, o estilista apresentou uma coleção masculina cheia de piratas sensuais.

Herchcovitch estampou cartazes e nomes de filmes estrelados pelo famoso agente funerário em camisetas e pôs modelos na passarela com um olho tapado por lenço e com medalhinhas em cintos, colares, calças e cruzadas no peito. Na primeira fila, Clodovil Hernandez definiu o desfile como "muito dramático."

Já Fause Haten apostou em um visual "chique-desarrumado" para seus homens, misturando referências japonesas, do rock e do mundo caubói. Para deixar seus modelos cuidadosamente desleixados, o estilista compôs praticamente toda a coleção baseado em ternos confeccionados em moletom, jeans lavados e tecidos de alfaiataria.

O estilo "largado" surgiu em calças jeans cheias de bolsos, zíperes e tiras, nas cores abóbora e vermelha, ora usadas com paletós pretos com brasões ora com camisetas de malha com imagens e frases nas costas como "Back in 5 minutes."

"O homem atual gosta da maneira confortável de se vestir, e minha coleção é para esse homem, que se veste de maneira jovem," explicou o estilista.

De olho também nesse público jovem, Lorenzo Merlino apresentou, em um ensolarado átrio da Pinacoteca do Estado de São Paulo, uma coleção outono-inverno "rock' n' roll," com modelos fazendo papel de pop stars em cima de um palco com instrumentos musicais.

O veludo cotelê apareceu na maior parte dos looks e foi combinado às vezes com organza, às vezes com malha grossa. Lilás, verde-limão, cor-da-pele e preto surgiram alternadamente em uma saia na altura do joelho com fenda marcada por zíper, em calças justas e em um vestido de manga comprida e decote em V profundo.

O estilista Jefferson Kulig fez experiências com o efeito dos tecidos do corpo, utilizando até placas eletroacústicas em suas roupas para simular o som dos músculos.

O destaque para o movimento veio ainda em vestidos, saias e regatas formados por ondas de tecido emborrachado que deixavam à mostra partes de barriga, seios e coxas. As cores mais trabalhadas foram preto, branco, vermelho e pele.

Guerrilheiras usando calças de cetim bege e casaquinhos de veludo branco bordados de cristais desfilaram ao som da banda punk britânica The Clash para a grife de Marcelo Quadros. O estilista buscou referências militares para pontuar sua coleção outono-inverno, em uma homenagem às mulheres "guerrilheiras-urbanas" da cidade de São Paulo.

Encerrando o sexto dia do SPFW, a Uma mostrou um look de andarilhos contemporâneos. A estilista da marca, Raquel Davidowicz, criou roupas confortáveis para encarar escaladas e trilhas em lugares exóticos.

A palheta de cores ficou entre o branco e o preto, pontuada por duas camisetas verde musgo para ele e para ela. As estampas listradas em cores empoeiradas, em referência aos cenários das trilhas, surgiram em malhas de mangas compridas.

Nesta terça-feira, fecham o maior evento da moda brasileira as coleções femininas de Fause Haten e Alexandre Herchcovitch, além de V.Rom, André Lima e Zapping. O SPFW acontece no prédio da Bienal, parque Ibirapuera.
 

Reuters

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