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SP Fashion Week
Domingo, 1 de fevereiro de 2004, 20h49 
Mareu Nitschke apresenta bombachas modernas
 
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Mareu Nitschke
Reinaldo Marques/Terra
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Os ventos do sul trouxeram neste domingo para a passarela do São Paulo Fashion Week bombachas, guaiacas e ponchos modernizados pelas mãos de Mareu Nitschke. O estilista, que mora na capital paulista há nove anos, voltou às origens para reinventar a indumentária gaúcha em sua coleção outono-inverno.

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A guaiaca, estilo de pochete presa ao cinto, foi costurada nas laterais de jaquetas para os homens e tomou as mais diversas formas no vestuário feminino. As bombachas apareceram em muitas calças jeans, tanto para eles como para elas, nas lavagens índigo e black.

O chiripá, mistura de saia com calça usada pelos primeiros gaúchos, também foi desconstruído e remontado em vários comprimentos, às vezes mais como saias femininas, outras como calças masculinas.

Uma das pochetes veio marcando a cintura de uma modelo que usava um poncho duplo - por cima na cor vinho e embaixo na cor cinza. A calça jeans justinha foi toda trabalhada com casas de abelhas, deixando um aspecto engrouvinhado nas pernas. Nos pés, botas até o tornozelo, por cima da calça.

A radicalização do poncho teve seu auge numa peça que trazia uma espécie de bustiê, marcando as formas da frente, sem abandonar as características básicas da roupa original. Ela foi feita em chiffon com fios de cristais nos tons roxo e branco.

O mesmo tecido apareceu em outras criações, como saias e vestidos. A palheta de cores, onde predominaram tons escuros como o preto, marinho e roxo, teve inspiração nas obras do pintor gaúcho Iberê Camargo, morto em 1994.

Entre os acessórios, destaque para um cinta-liga de couro repleta de berloques de cavalinhos, ferraduras, pérolas e correntes de prata, que chacoalhavam enquanto as modelos caminhavam na passarela coberta com tapetes de couro de vaca.

Outro detalhe foram os lencinhos na cor vinho amarrados no pescoço, inspirados nos costumes dos Maragatos na Revolução Farroupilha.

O desfile, que demorou mais de uma hora para começar, trouxe na trilha sonora o barulho de ventos cortantes, músicas do acordeonista gaúcho Borghetinho e mixagens com milongas e vanerões.

O som e as perucas dos modelos - trancinhas coladas na raiz e apliques compridos e loiros repicados - lembrou os cenários áridos e personagens estranhos de filmes como Mad Max, mas com um toque especial pela atmosfera dos pampas.
 

Reuters

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