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SPFW inverno 2004 - Mario Queiroz
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| Rogério Lorenzoni/Terra |
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O homem de Mario Queiroz está completamente embriagado de vinho e amor. Depois de dias trancado no quarto, ele resolveu mostrar seus poemas --estampados em camisetas empoeiradas - na passarela do São Paulo Fashion Week, nesta quinta-feira.
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O vinho acompanhou toda a trajetória desse homem solitário, uma espécie de dândi moderno, como definiu o estilista. A cor pontuou os tons cinzas predominantes nas peças. A bebida veio em logotipos de garrafas estampados em camisetas e folhas de parreira bordadas em camisas.
"As estampas são desgastadas, assim como os jeans. É como se ele estivesse há dois ou três dias fechado em uma sala, chorando seus amores. Ele tem o luxo dos dândis, mas um luxo empoeirado", explicou Queiroz.
Como acessórios, rolhas penduradas em correntes no pescoço ou nas calças jeans desbotadas. Para aumentar o clima tristonho dos modelos, discretas lágrimas foram desenhadas em seus rostos.
Se a aparência entregava a tristeza desse homem, a trilha sonora do desfile traduziu seus sentimentos mais confusos e raivosos. Marilyn Manson cantou "I Put a Spell on You", intercalado a uma voz em off recitando versos de Vinícius de Moraes.
A atmosfera luxuosa dos dândis foi resgata em calças e bermudas curtas confeccionadas num tecido estilo tapeçaria - algumas peças vieram só em tons cinzas, outras em marrom com flores rosas. Chapéus em vinil e sapatos brilhantes completaram alguns looks.
Abriu o desfile um modelo que usava apenas uma calça vinho e segurava uma espécie de manto cobrindo suas costas até quase o chão. Segundo o estilista, a peça foi inteira bordada com palavras de um poema de amor que ele mesmo escreveu.
Outras criações de destaques foram um terno de corte reto em veludo azul, um macacão preto regata e uma calça em seda mista brilhante e vermelha, com estampas bem discretas de onça.
No fundo da passarela, um cenário repleto de pilhas de livros. Em cima de um armário, um modelo bebericava alguns copos de vinhos. Nos momentos mais intensos --pontuados pela trilha sonora--, ele rasgava páginas de livros e as jogava na passarela, devidamente forrada de papéis.
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