A moda masculina passou a ser admirada nesta edição da SPFW, como o desfile de Mario Queiroz
Foto: Francisco Cepeda/AgNews
- Iesa Rodrigues
- Direto de São Paulo
Dias frios, moda quente nesta edição de verão 2011 da São Paulo Fashion Week. Pela primeira vez em muitos anos de eventos, a moda masculina deixou de ser um momento tradicional, que exigia a presença de celebridades na passarela, para ser admirada. Dois desfiles se destacaram, entre todos: João Pimenta e Mario Queiroz.
Isto é um sinal de mudança drástica, um sinal que estava sendo anunciado por pesquisadores e estudiosos de tendência. Não é mais apenas o vaidoso, o metrossexual ou o grupo gay que esperam por inovações e extravagâncias.
Diante das propostas destes dois criadores, nota-se que há roupas para os consumidores mais conservadores e ideias para puxar um bloco de tendências sem preconceitos. Antes desta temporada, apenas Alexandre Herchcovitch dava um tom menos careta, sem medo de críticas machistas.
Para a ala feminina, sempre disposta a mudar de trajes, há uma unanimidade nas cores claras. Engordativas, mas lindas e femininas. Estampas de listras, em algumas coleções. Com a exceção do Lino Villaventura, que fez um patchwork de tiras pretas e brancas, para formar o listrado. Claro, é o mínimo que se esperava do nosso mestre artesão de tecidos.
As transparências também são inevitáveis. Mesmo que não revelem o corpo, esvoaçam tules por cima de outros tecidos.
Todas de cores de marzipã, vestindo insinuantes e esvoaçantes tules, organzas e telinhas. A sensualidade não acaba por aí: vários desfiles, principalmente na moda praia, se basearam nas lingeries modeladoras antigas. Cintas-ligas, sutiãs pespontados, calcinhas e espartilhos tomam o lugar de cortininhas, triângulos, asas delta, florzinhas. Na Adriana Degreas vimos que pode dar muito certo esta mudança, pelo menos para as festas fechadas, com piscinas.
Agora, esqueçam o que vamos usar no verão. A evolução da moda masculina, as cintas-ligas e os saltos redondos. Há o lado espetacular da moda, que nesta semana foi garantido pelo Lino Villaventura e pelo final poderoso do André Lima. Eles são a nossa alta costura, com a sensualidade brasileira. Podem fazer vestidos pretos quando todos fazem rosa; incluir casacos de pele na coleção de verão; biquínis de tule no inverno: são nossos ensaístas e experimentadores da moda.
Paulo Borges anuncia que fará mudanças no evento, que este é uma página virada. A Chambre Syndicale de Paris acaba de anunciar que não vai renovar o contrato com as salas no subsolo do Museu do Louvre. Pois é, a moda não para, muda cores, texturas, comprimentos, lugares, datas, e o que mais puder mudar. A nós, resta aplaudir e esperar pela próxima temporada.
- Especial para Terra





