Iesa Rodrigues

› Moda › SPFW › Verão › SPFW - Verão 2010 › Iesa Rodrigues

Iesa Rodrigues

Segunda, 22 de junho de 2009, 21h37 Atualizada às 00h15

Samuel Cirnansck se sai bem, sem rendas nem tules

Iesa Rodrigues Assim como Walter Rodrigues, Samuel demonstrou que sabe fazer muito bem o casual, o urbano, o diurno, chamem como quiserem o que não é roupa de baile, de casamento nem de tapete vermelho. Bem, nem tão radical, porque as primeiras séries que passaram ao lado dos carrinhos Citroën 2CV eram justamente os longos de organza, camadas e camadas formando as saias, corpetes de corselet, em geral tomara-que-caia, com cintinhos estreitos e coloridos quebrando o ar de debutante dos anos 50.

» Veja mais fotos do desfile de Samuel Cirnansck
» Assista a trechos do desfile de Samuel Cirnansck
» Atmosfera cubana toma conta do desfile de Samuel Cirnansck

A inspiração era mais ou menos desta época, um pós-guerra glamoroso em Cuba, vivido por uma colunável chamada Aleida Averhoff de la Riva, que teria adorado os casacos de alfaiataria feitos em tecidos remontados, em listrados fininhos remontados em patchworks de precisão certeira. Ou as pantalonas de cintura alta, abotoadas, em risca-de-giz ou no amarelo-limão, a cor anti-colisão do próximo verão.

Para os bailes de Havana pré-Fidel e para os tapetes vermelhos das celebridades atuais, Samuel indica e mostra os longos em cartela de tons claros, rosa, azul, lilazes, sempre com um efeito changeant nas saias.

Parecia que a coleção se resumiria a estes luxos festivos. Sumiram as modelos de longos, a noiva com adereço de cetim, pela porta da boca-de-cena. Voltaram, trazendo as colegas, vestidas com pólos, calças em tecidos menos pomposos, tailleurs de basques, turbantes e flores nos cabelos. Foi a surpresa do desfile, que inverteu a ordem normal das apresentaçôes. Deixou a vontade de ver um outro show.

Não resisto a um comentário: se a Marina de la Riva não aparecesse, com um belo vestido rodado, de cintura marcada, provavelmente eu pensaria que a inspiradora Aleida Averhoff de la Riva era uma ficção, um mito de sonho do estilista. Adoro estas surpresas da moda.


Iesa está na área da moda desde o final dos anos 60, quando começou no Jornal do Brasil como ilustradora. Passou para a produção e redação nos anos 70. Trabalhou na revista Desfile, na sucursal das femininas da Editora Abril em 80, mas voltou ao JB como editora da revista Domingo.

Há 12 anos abriu o site www.estiloiesa.com.br e em 2001 criou o curso de Jornalismo de Moda no Senac Rio.

Terra

Carlos Zambrotti/AgNews
Pós-guerra cubano inspira nova linha de Samuel Cirnansck
Pós-guerra cubano inspira nova linha de Samuel Cirnansck

Busque outras notícias no Terra