Iesa Rodrigues

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Iesa Rodrigues

Domingo, 22 de junho de 2008, 00h15

SPFW tem desfiles que parecem espetáculos teatrais

Iesa Rodrigues O que é um bom desfile? Ninguém sabe a receita infalível, assim como é impossível garantir qual a roupa que vai vender muito. No momento em que a música de espera silencia e as luzes da platéia se apagam, tudo pode acontecer. Hoje foi um destes dias doidos, que nos deixam sem saber se estamos assistindo a uma prévia do que será vestido na próxima estação ou a performances e pesquisas de formas e atitudes.

Veja os desfiles do 5º dia de SPFW
» Isabela Capeto
» Jefferson Kulig
» Miguel Vieira
» Amapô
» Ronaldo Fraga
» Wilson Ranieri
» Rosa Chá
» André Lima

Tudo isso me ocorre depois do desfile da Rosa Chá. Nada mais sem graça do que moda praia masculina. Vá lá, as sungas podem ser longas, estilo anos 40. Ou curtas, de nadador. Também há as que deixam metade do traseiro de fora, ou fecham com cordões, ganchos, etc. Pouco mais acontece neste tipo de roupa.

Pois a estratégia do Amir Slama de abrir com um modelo nú, tomando uma ducha, eletrizou a platéia e deu ritmo à apresentação. Pouco importou como eram as tais sungas, mas duvido que algum convidado esqueça que a Rosa Chá lançou moda masculina de praia.

Ronaldo Fraga é mestre nestas performances. Só que em vez de uma sacudida sexy ele mexe com outras emoções da platéia. Seja lembrando Nara Leão, contando poemas de Drummond ou falando do rio São Francisco, nunca a moda fica em primeiro lugar. É um conjunto, um teatro. Que hoje, por acaso, tinha roupas lindas, escamadas como peixes, estampadas como sacos de carga, em cores de águas do rio ou com peixes lineares em jeans. Não vou dizer que roupa bonita é dispensável em eventos, mas às vezes ela fica em segundo plano.

Já no show do André Lima, nada ofusca a roupa. Ela é o espetáculo, cheia de truques e técnicas de costura e modelagem, assim como no Wilson Ranieri, em menor escala. Este precisa vender, está começando a se firmar como profissional. André é mais kamikase, se joga na aventura de criar ou no desafio de aprender técnicas.

Jefferson Kulig sempre dedicou parte da coleção a engenhocas intrigantes, que serviam como articulações de membros ou rangiam na passarela. Elas ocupam cada vez menos espaço na apresentação, em prol de boas alfaiatarias e cortes a laser. Ora, Jefferson, isto muita gente faz. Volte aos experimentos de engenharia e física, por favor.

Com a Amapô acontece o contrário. Elas precisam dosar a pesquisa e a roupa real. Baixar um pouco a bola da invenção e pensar em como ficaria cada peça numa situação real.

Quem domina estas sutilezas é a Isabela Capeto. Faz desfiles com caixotes, por onde circulam as modelos, borda caveirinhas de máscaras mexicanas em vestidos suntuosos, inventa abotoaduras de dentes de lutadores de luta livre. Arranja lugares inusitados, como o galpão de uma galeria de arte, acomoda os convidados em banquinhos nas cores da cartela.

Cada desfile é um show. Hoje, nem comento roupas que vão pegar no verão. Apenas recomendo que assistam a um destes espetáculos de moda quando puderem. Depois, decidam que tipo de calça e que comprimento de saia vão usar.

Iesa está na área da moda desde o final dos anos 60, quando começou no Jornal do Brasil como ilustradora. Passou à produção e redação nos anos 70. Trabalhou na revista Desfile, na sucursal das femininas da Editora Abril em 80, mas voltou ao JB como editora da revista Domingo.

Há 12 anos abriu o site www.estiloiesa.com.br e em 2001 criou o curso de Jornalismo de Moda no Senac Rio.

Especial para o Terra

Marcio Madeira/Especial para o Terra
André Lima foi um dos estilistas a dar show no 5º dia de SPFW
André Lima foi um dos estilistas a dar show no 5º dia de SPFW

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