
Atualizada às 16h11
O que se viu, o que parece mais forte como moda nos dois primeiros dias do São Paulo Fashion Week? Nota-se uma vontade de lançar roupas mais elegantes, luxuosas. Basta ver o que andam fazendo Tufi Duek, Fause Haten e Marcelo Sommer, na sua grife Do Estilista. Este trio, originalmente líder em jeans elaborado, dito fashion, dedica-se às roupas de ateliê, quase alta-costura, cada um a seu jeito. Proliferam drapeados, pregueados e sedas, com opções de comprimentos curtos e longos.
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Por que esta guinada de foco? Ninguém é ingênuo de pensar que são sonhos dos criadores: eles atendem aos desejos do consumo. O mercado deste tipo de moda se enquadra no movimento do luxo, das festas de casamento, um fenômeno de comportamento social. Portanto, para o marketing que significa um desfile em grande evento, nada melhor do que anunciar "ei, eu faço roupas lindas de festa, que ficam ótimas também com calças jeans". Foi um dos conceitos subentendidos mais freqüentes nestes dois dias.
No entanto, há quem se mantenha fiel ao jeans. A Ellus é o melhor exemplo, com uma série de jeans quase brancos, em diversas modelagens, complementados por coletes e jaquetas desenvolvidas a partir da Perfecto francesa. Aliás, a Perfecto rondou outras passarelas, em versões diferentes, como na Triton, super-jovem e roqueira.
A tecnologia e o artesanato deram as mãos e resultaram em ótimos trabalhos na Uma, a partir do lixo da prórpia marca; também na Patricia Viera, que recortou couro em pedacinhos e prensou mosaicos de flores em tule. A Osklen foi mais adiante, porque Oskar Metsavaht decidiu que é tempo de parar com as hipocrisias e usou couro de jacaré em chapéus e roupas, dando um toque de cor e brilho na série de cores neutras, densas e suntuosas.
Da moda praia, estes poucos centímetros de lycra, pode-se dizer que continua dividida entre os biquínis mínimos e os maiôs de luxo, que parecem incapazes de chegar perto de ondas ou de escadinhas de piscina.
Na Cia. Marítima falou-se mais da gordura da Kurkova, como chamam a modelo loura exclusiva da marca, do que dos elos e fivelas que dão forma aos trajes praianos. Na Movimento, a coleção inclui boa parte de mini e maxivestidos, sintoma de ampliação da abrangência de propostas para a consumidora.
Já que se fala em mercado e consumo, é preciso citar outra guinada, a de Fause Haten, que saiu do grupo I'M, perdeu por enquanto o domínio da marca e apresentou a FH, onde promete arrasar em luxos sedutores.
Entre compras e vendas, acrescente-se a este resumo o japonês Kenzo Takada, para comprovar que este tipo de percalço acontece no mundo inteiro. De estilista de sucesso imbatível nos anos 80, passou a ser designer de objetos de decoração depois de vender o nome Kenzo para o grupo LVMH. Ele veio ao evento, conheceu a Amazônia e Parati, contou a história da vida profissional, muito simpático. Mas a Kenzo agora é assinada por Antonio Marras, estilista italo-espanhol que recuperou o colorido e os temas do criador original.
Iesa está na área da moda desde o final dos anos 60, quando começou no Jornal do Brasil como ilustradora. Passou à produção e redação nos anos 70. Trabalhou na revista Desfile, na sucursal das femininas da Editora Abril em 80, mas voltou ao JB como editora da revista Domingo.
Há 12 anos abriu o site www.estiloiesa.com.br e em 2001 criou o curso de Jornalismo de Moda no Senac Rio.
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Marcio Madeira/Especial para Terra
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