SPFW

publicidade
20 de janeiro de 2009 • 16h36 • atualizado às 17h04

"Moda brasileira começou na década de 30", diz historiador

O historiador João Braga afirma que a moda sempre segue um conceito regional
Foto: Especial para Terra
 

O tema desta 26ª edição do São Paulo Fashion Week é "Brasileirismos", tanto que toda a ambientação local nos remete ao nosso país. Nos saguões, frases de caminhões enfeitam as paredes, cuja pintura lembra os parachoques. Há também botecos e a exposição da brasileiríssima portuguesa Carmen Miranda.

Mas se a discussão é moda brasileira, nada melhor do que um professor e historiador da área para responder a pergunta: "Desde quando existe moda no Brasil?". João Braga, que está em fase de finalização de seu livro História da Moda no Brasil, dá sua opinião. "Há diferença entre indumentária, vestuário e estilo, mas a moda como o conceito que entendemos hoje, na minha opinião, surgiu com dona Mena Fiala, que foi diretora da Casa Canadá, no Rio de Janeiro, por anos, a partir da década de 1930. Ela começou com os desfiles, mas na época não havia a alcunha de estilista, era modista mesmo", ensina Braga.

Ele lança mão de um ditado em inglês para explicar o conceito de moda nacional: "Global fashion. Local tradition" ("Moda global. Tradição local"). Ou seja, a moda pode ser globalizada, como atualmente é, sendo usada tanto no Brasil quanto no Japão, em Londres ou em Caracas mas, apesar das tendências mundiais, sempre há um detalhe, um olhar, um conceito regional. "E é isso que estamos vendo nestes desfiles", afirma.

Como exemplo de estilistas que podem ser considerados brasileiros em essência, porque traduzem isso em suas criações, João Braga cita um tripé: Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura e Ronaldo Fraga. Todos têm uma identidade, uma autenticidade de trabalho e uma fidelidade ao seu estilo.

"O Alexandre soube trabalhar com conceitos universais, projetando a moda feita no Brasil para fora. Lino é fiel às suas criações e às suas raízes, uma vez que é nascido no Pará e criado no Ceará. E Ronaldo consegue expandir o universo do interior do Brasil e nos mostrar uma outra realidade."

Para resumir a moda brasileira, o historiador compara o Brasil à Índia, devido à diversidade cultural existente nos dois países. "E isso é positivo. Há várias possibilidades de exploração dessas várias culturas."

Os três pontos de identidade das criações brasileiras em relação ao mundo são, segundo ele, o uso do artesanato, da cor e da sensualidade. "Esses são nossos diferenciais."

Especial para Terra