Iesa Rodrigues

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Iesa Rodrigues

Segunda, 19 de janeiro de 2009, 16h26 Atualizada às 19h52

Ronaldo Fraga pegou pesado e fez bonito

Iesa Rodrigues Que título é este? Porque o Ronaldo conseguiu envolver a platéia com emoções, mostrou um lado cult na passarela, com referências a uma peça de teatro, e ainda por cima, para culminar, não deixar pedra sobre pedra, fez uma linda coleção!

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Pegou pesado ao fazer a platéia chorar, comovida de ver senhoras e senhores, com média de idade nos 80 anos, cabelos branquinhos, mãos com artrite, andando devagarinho entre os bonecos da peça Giz, de Álvaro Apocalyse, em vez das modelos maravilhosas. Só que eles também estavam maravilhosos, bem penteados, super bem vestidos, olhando firme nos olhos a platéia, na maior alegria ao se verem tão prestigiados.

Além deste elenco respeitável, em todos os sentidos, incluindo por exemplo Laís Pearson, jornalista e professora de várias gerações de adeptos da moda, Ronaldo conseguiu outra proeza, a de incluir crianças, vestindo sua grife Filhote, na passarela branca da sala 1.

Pronto, fim do pegou pesado. Agora, o bonito, o que vira moda. Foi uma das coleções mais comerciais do mineiro de topetinho, com vestidos de corte amplo, de volumes sombreados, como descreveu o autor. Em lãs e linhos, mostrou que o novo blazer tem corte de fraque, que há calça para gente normal, sem ser skinny ou pantalona, e são confortáveis e belas. Que os casacos têm um tempero oriental, com debruns, o que fica mais visível na roupa infantil. Que um senhor pode usar um macacão cinza, com toda a dignidade, e que dos anos 1990 sobraram vestidos pretos, de modelagem solta e assimétrica, bons para qualquer idade.

Falta o bom-humor, que apareceu nas estampas de sorrisos em fundo preto (calças masculinas, casacos femininos), na substituição dos broches de luxo por miniaturas de lousas com palavras como "amor", "formosa" ou "bem-me-quer" e dos anéis que se deixam de herança, por reproduções em cartolina.

Um espetáculo de moda, sem medo do grotesco dos bonecos de pano, do dinossauro pendurado no teto, de um elenco sem tops. Como ele mesmo definiu "até as sereias envelhecem". E mais, na moda, "tudo é risco de giz".

Iesa está na área da moda desde o final dos anos 60, quando começou no Jornal do Brasil como ilustradora. Passou à produção e redação nos anos 70. Trabalhou na revista Desfile, na sucursal das femininas da Editora Abril em 80, mas voltou ao JB como editora da revista Domingo.

Há 12 anos abriu o site www.estiloiesa.com.br e em 2001 criou o curso de Jornalismo de Moda no Senac Rio.

Especial para Terra

Márcio Madeira/Especial para Terra
Esta é uma das coleções mais comerciais do mineiro
Esta é uma das coleções mais comerciais do mineiro

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