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Ronaldo Fraga traz transexual e refugiados a desfile no SPFW

Estilista mineiro discute o tema levando refugiados para a passarela e peças com manchas de sangue

26 abr 2016
00h23
atualizado às 00h31
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É sempre assim. Ronaldo Fraga transcende a moda e mais uma vez garante emoção nas passarelas do SPFW. Desta vez com o tema Re-Existência, o criador mineiro trouxe para a passarela refugiados de países africanos para desfilar. No começo, seis modelos entraram com roupas claras manchadas de sangue e toucas de crochê cobrindo o rosto. Atrás, a palavra Refugee impressa. Sentaram sob um foco de luz até o primeiro modelo-refugiado entrar com um conjunto de calça e paletó de linho amassado. Levantaram e saíram para dar vez ao desfile com roupas inspiradas em países como Moçambique, Angola e  Síria. Mais modelos refugiados, homens e mulheres, a transexual amazonense Camila Ribeiro e as modelos de sempre pisaram a passarela. Todos misturados, indiferentes, iguais.

Foto: Francisco Cepeda / AgNews

Na cabeça, tranças africanas preparadas por Marcos Costa transportavam as roupas para outro continente. O shape era africano, com peças mais largas ou vestidos soltos. Mas em toda a apresentação, a presença dos refugiados estava presente, seja pelos barcos aplicados em vestidos, pelas manchas de sangue em algumas peças, ou pela bandeira amarrada amarrada como saruel num look masculino.

A transexual Camila Ribeiro durante desfile de Ronaldo Fraga
A transexual Camila Ribeiro durante desfile de Ronaldo Fraga
Foto: Francisco Cepeda / AgNews

"É o que a moda tem a ver com isso?", pergunta Ronaldo em seu material de divulgação. Ele mesmo responde. "Documento eficiente como registro de um tempo, a moda tem diferentes faces e formas para se registrar uma estória e a que sempre me seduz é a face político-cultural". Para criar as estampas, ele ampliou no computador as imagens desses barcos-túmulo, que levam os refugiados a outros países e muitas vezes naufragam. "Procuro ali o indivíduo e os mastros de esperança que o sustenta. Com o zoom, o ocre desaparece revelando flores e grafismos impressos em vestidos, calças e camisas", continua.

E essas flores e grafismos também marcam presença na coleção, que pode vir com amarrações ou looks mais soltos. As coloridas listras sírias aparecem estampadas em elásticos que formam vestidos de modelagem africana, amplos nas barras. Mas não faltam bordados de contas e aplicações de pedras em peças mais justas, para brilhar na aridez que tem se transformado a vida desses imigrantes, alguns deles encontrando morada no Brasil.  Os tricôs elásticos nos vestidos vermelhos do final e as flores aplicadas com capricho, além do confortável masculino criado por Rodrigo Fraga, irmão de Ronaldo, trazem não só desejo de moda, mas também de um mundo menos intolerante e mais gentil. 

Fonte: Ponto a Ponto Ideias
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