- Rosângela Espinossi
- Direto do Rio de Janeiro
A estilista Patricia Viera, que abriu a semana de moda carioca, com desfile nesta segunda-feira, num apartamento duplex de cobertura na Vieira Souto, pertencente à terapeuta holística Vera Andrade, onde o metro quadrado é um dos mais caros do Brasil, disse ao Terra que sua coleção é cheia de bordados, pedrarias e cristais, com vestidos que levam mais de mil pedras e de 45 a 60 dias para serem bordados. "Minha coleção para esse inverno mostra que é possível sonhar com glamour e luxo".
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Entusiasmada com sua coleção cheia de brilhos e cores, inspirada no way of life de Los Angeles e seu glamour com certa pitada de decadência, a estilista se diz entusiasmada com o momento brasileiro e garante que a moda brasileira não morreu e que se orgulha de trabalhar com couro animal de forma ecologicamente correta.
Confira trechos da entrevista dada momentos antes de seu desfile no apartamento de quase 2 mil metros em Ipanema, com uma deslumbrante vista para o mar.
Terra: De onde vem a inspiração para esta coleção?
Patrícia Viera: Em agosto, passei uma semana em Los Angeles com Felipe Veloso, que além do styling do desfile me ajuda na criação da coleção. Ficamos no ateliê do designer e artista Tom Binns, com quem minha irmã Maria Cristina Viera trabalha. Ele usa muitas pedras e cristais e a coleção tem muito isso. Quis cores também, com nuances que vão do verde ao azul, passando por roxos, rosa.
Terra: Numa época em que o ecologicamente correto ganha cada vez mais adeptos, como você se coloca trabalhando com couro animal?
Patrícia: Tenho o maior orgulho de falar que trabalho com couro animal de forma ecologicamente correta. Só uso couro de cabra e ovelha, cuja carne é usada para consumo. Não mato animal apenas para usar o couro. E todos os curtumes com que trabalho tratam a água antes de descartá-la assim como sal para curtir o couro. Seria bem pior se esse material, depois de usada a carne, fosse descartado na natureza.
Terra: Como você trabalhou o couro para essa coleção?
Patrícia: Tenho minha marca há 14 anos e só trabalho com couro, apesar de colocar alguns tecidos, como musselina de seda, na coleção. Além do trabalho de pedrarias e cristal, feita em conjunto com a grife mineira Vivaz, trabalhei o couro de forma a alguns parecerem renda guipure. Meu químico Alisson Antunes também colocou texturas metalizadas. Hoje, posso falar que pego um couro azulado, em estado zero, e transformo em peças com texturas, desenhos e cores que nem parecem couro. Um trabalho de anos e de que equipe.
Terra: O estilista Ronaldo Fraga não vai desfilar na SPFW depois de 17 anos, vai se dedicar a outros projetos. Ele disse que a moda brasileira morreu. O que acha dessa afirmação?
Patrícia: Eu entendo a colocação e o momento de Ronaldo, mas a moda não morreu. Eu já deixei de desfilar por duas vezes, para me posicionar e ver por onde minha marca ia. Não dá para deixar o lado comercial de lado, nunca. Hoje, o que a gente apresenta aqui é para a imprensa ver e para a mulher sonhar e saber que, se quiser e puder, pode ter um vestido como esse. Esse que tem mais de mil cristais bordados poderia ser substituído por 100 jaquetas, mas é preciso mostrar que há peças como essa. Tenho roupas caras, que podem custar R$ 5 mil ou mais, mas também tenho outras mais em conta. E minha coleção para esse inverno mostra exatamente isso, que é possível sonhar com glamour e luxo.
Terra: Como é trabalhar com luxo numa época de crise?
Patrícia: O Brasil vive um momento muito bom, mas precisamos ainda baratear os custos e os preços. Por isso, acho ótimo trabalhar em tempo de crise, porque temos de ter o pé no chão e ver até onde podemos chegar. Hoje, não há só uma estilista e um nome. Uma equipe inteira trabalha para a marca dar certo. E isso é importante. Tenho minha grife de luxo, a Patrícia Viera, mas tenho uma mais barata, a Pat Pat. É assim que temos de agir. E estar no Fashion Business me mostra que não é só criar, que o lado comercial é imprescindível.
Semana de moda carioca
O Fashion Rio, um dos maiores eventos de moda do País, está em sua 20ª edição e acontece entre 10 e 14 de janeiro, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Já a 19ª edição da bolsa de negócios de moda Fashion Business, a maior da América Latina, vai até 13 de janeiro, no Jockey Club Brasileiro, também na capital carioca. No total, são 49 desfiles que tomam as passarelas do Rio de Janeiro em seis dias, incluindo as apresentações dos novos talentos, que acontecem no Rio Moda Hype, nos dias 10 e 11 de janeiro.
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