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Moda
Segunda, 11 de agosto de 2003, 15h50 
Se você não usa cuecas femininas, um dia vai usar
 
Reuters
Conforto em primeiro lugar!
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Sutiãs queimados em praça pública. Sapatos de salto alto e cintas-liga jogados em uma enorme lata de lixo. Protestos de feministas, na década de 60, contra a opressão feminina. Trinta anos depois de jogar ou queimar artigos que simbolizavam esta degradação da mulher, a forma de protesto mudou. Um movimento começou a apropriar-se do que representava o poder masculino. Ou seja, a cueca.

No início da década de 90, algumas lésbicas roqueiras - chamadas de Riot Grrrls - fizeram shows usando cuecas (e também consolos de borracha usados debaixo das calças). "Essas lésbicas rebeladas resolveram dizer ao mundo que mulheres também podiam ser agressivas, invertendo os papéis e misturando códigos. Nada mais permaneceu exclusivamente feminino ou masculino", escreveu a artista Vange Leonel, em sua coluna dominical GLS, que tratava exatamente sobre cuecas.

Veja as fotos:
» Cuecas femininas: lindas e práticas
» De olho nas cuecas deles

Mas, longe de qualquer protesto, a moda captou essa história de misturar códigos. E parece ter eleito a cueca como símbolo para provar que nada mais é usado apenas por mulheres ou apenas por homens. "As minhas últimas coleções femininas andaram tomando elementos do guarda-roupa masculino. As formas confortáveis já tiveram inspiração em skatistas e, agora, em uniformes de jogadores de basquete. Na minha nova linha de lingerie, por exemplo, tomei a cueca feminina como peça principal", diz o estilista Fause Haten.

Mesmo antes das cuecas femininas aparecerem nas passarelas, algumas confecções já apostavam no modelo. "Mulheres que preferem o conforto já procuravam estas calcinhas-cuecas. Geralmente, elas são feitas de algodão e em formato maior. Por isso, acredita-se que este tipo de lingerie evita a transpiração e ajuda a diminuir o incômodo corrimento vaginal", diz a estilista Juliana Alencar.

Os modelos são tão parecidos com as cuecas convencionais - ou seja, as masculinas - que possuem a tradicional tira elástica na cintura e algumas trazem até mesmo abertura na frente (afinal, para que serve aquilo mesmo?). Claro, que há o diferencial. Boa parte delas vem em tons pastéis (principalmente, o rosa) e são cheias de divertidos desenhos e frases de duplo-sentido do tipo "bad girl".
 

O Povo