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| Camisetas ganham força pop e apelo comercial |
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Foi-se o tempo em que ela era apenas uma peça quebra-galho do guarda-roupa adolescente. Relegada à subproduto nas coleções das grandes grifes, a camiseta volta a ganhar poder de fogo no mercado da moda. Desta vez pelas mãos de fãs de cultura pop, que transformaram as sisudas camisetas-pretas-com-estampas-de-banda-de-rock em divertidos itens fashion.
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"Camisetas rocker sempre existiram, mas elas eram toscas e feitas de forma muito amadora. A novidade é apostar no tratamento de moda, investindo na qualidade do produto. Atingimos um público mais exigente", explica a estilista Paula Bertone, sócia do jornalista André Barcinski na Vinil Rockwear. A grife, que existe há menos de um ano, oferece nove tipos de estampas - todas exclusivas -, inspiradas em bandas que vão de The Clash a Flaming Lips. Quem assina a arte das camisetas é a dupla de designers Giassetti e Cobiaco. "Não queríamos simplesmente reproduzir capas ou artes de CDs, mas recriar o universo da banda em novas estampas. A intenção não é produzir algo com cara de artigo oficial", diz Bertone.
Mesma preocupação é a dos sócios da Katkiller, que encontraram na arte pop a inspiração para criar novas estampas. "A gente brinca com as referências. Nada fica explícito", diz Josmar Madureira, designer da grife, que surgiu por acaso, há dez meses. Tecladista da banda indie Monokini, Madureira foi incentivado pelos amigos a vender as camisetas que fazia para uso próprio. "Começamos a vender para arcar com os custos da produção, entre amigos. Depois, ampliamos a venda para a internet. Como deu certo, resolvemos levar o negócio a sério", conta. Hoje, a Katkiller têm suas peças revendidas em duas lojas multimarcas em São Paulo. Com trajetória semelhante, a Alguns Tormentos, do estudante de moda gaúcho Eduardo investe em estampas com citações mais explícitas à cultura pop. Para a camiseta em homenagem a atriz francesa Audrey Tatou, ele reproduziu em estampa um desenho estilizado de sua personagem mais famosa, a Amelie Poulain, do filme homônimo. "Eu elaboro novas estampas a medida que surgem novos ícones no universo pop. A gente tenta acompanhar a urgência que é característica dessa indústria", conta.
O humor quase gonzo também vem forte nas camisetas pop. É o caso das estampas da marca Cuma, do jornalista Luiz Cesar Pimentel. Em uma delas, a capa do álbum Chrysalis Anthlogy dos Ramones é parodiada, numa homenagem aos comediantes dos Trapalhões. A frente do negócio há pouco mais de três meses, o ex editor-chefe da extinta revista de música Zero acredita que o mercado ainda tem muito a ser explorado. "Quando eu faço uma venda para outros estados do país, percebo como há uma demanda para esse tipo de moda. Ela é barata e atende um público que, apesar de ser bem específico, tem potencial para ser ampliado", vislumbra Pimentel. É o que acredita também uma das proprietárias da rede de lojas Banca de Camisetas, em São Paulo. Com apenas dois anos de existência, a Banca chega a sua quinta loja, e abre, ainda nesse semestre, uma rede de franquias. "Há uma procura grande por camisetas. Para responder a essa demanda, investimos nas parcerias com designers, para a criação de novas estampas toda semana", explica Debora Suconic, sócia da Banca.
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