| Reuters |
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| Vestido detalhado de Galliano para Christian Dior |
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O estilista britânico John Galliano injetou um toque das ruas no mundo rarefeito da alta-costura, na segunda-feira, quando encenou um "happening" ao estilo dos anos 1960 para exibir suas mais recentes criações feitas sob medida para a Christian Dior.
Os convidados, entre os quais estavam a cantora britânica Marianne Faithfull e a cineasta norte-americana Sofia Coppola, assistiram ao desfile reclinados sobre gastos sofás de couro, em meio a balões prateados de hélio, num set inspirado no lendário estúdio Factory, do artista pop norte-americano Andy Warhol.
Galliano precisou reduzir sua lista de convidados pela metade para adequar o desfile a seu plano não convencional de disposição dos convidados, que incluía espaço para uma cantora, cinco violinistas e uma banda de rock.
O resultado foi que os convidados tiveram uma oportunidade rara de ver de muito perto o belíssimo trabalho artesanal que é a marca distintiva da alta-costura.
"Eu queria que eles ouvissem o 'barulho' do cetim, que sentissem os detalhes dos bordados de perto, que sentissem o farfalhar da tafetá passando sobre seus pés", comentou Galliano em comunicado à imprensa. "Já era hora de romper com o que se espera e expor num espaço mais aberto, desfrutando a verdadeira essência da alta-costura", afirmou
Edie Sedgwick, a "pobre menina rica" que tornou-se a musa de Warhol e acabou morrendo de overdose de drogas, serviu de inspiração de bodys pretos e minivestidos usados com botas de crocodilo até os joelhos, criando uma silhueta esguia.
Os modelos simples e enxutos cederam espaço a drapejados barrocos de veludo escarlate e organza cor marfim, com Galliano traçando um vínculo inesperado entre a herdeira americana que reinou sobre o centro de Manhattan e a esposa de Napoleão, a imperatriz Josefina.
Pode soar confuso, mas o estilista ofereceu uma explicação. "Bob Dylan disse certa vez que 'Andy Warhol é Napoleão vestindo farrapos', e com essa frase a viagem teve início", comentou Galliano.
Enquanto a banda tocava Like a Rolling Stone, de Bob Dylan, as modelos desfilavam vestidos diáfanos, em estilo imperatriz, bordadas à mão com flores delicadas.
Esses bordados são a essência da alta-costura e explicam por que clientes como Dodie Rosekrans, socialite de San Francisco, se dispõem a pagar cifras de cinco algarismos para uma criação única da Dior.
Bastaria retirar as volumosas anquinhas dos vestidos e eles poderiam se transformar em vestidos de noiva, como o que foi usado no fim de semana pela modelo eslovena Melania Knauss para casar-se com o magnata Donald Trump.
O vestido de Melania tinha 100 metros de cetim branco e uma cauda de mais de quatro metros. A Christian Dior Couture, cujas vendas subiram 14% em 2004, está apostando na hipótese de que existem mulheres suficientes como Melania Knauss para conservar suas oficinas em plena atividade.
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