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Libertinas e rainhas decadentes de pegada punk marcaram as passarelas de Paris nesta sexta-feira, com os desfiles de Christian Dior e Vivienne Westwood. O primeiro com imagens tiradas do século 17, por meio da vida do Conde de Rochester (John Wilmot), poeta inglês e suas cortesãs. A segunda, com coroas de papelão enfeitando as cabeças das modelos que vinham com grandes pedaços de tecidos formando volumes sobre outras peças. Em ambas, sobreposições e texturas, que apareceram também em outros desfiles e prometem ser tendência nos inverno 2010/2011.
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John Galliano para a Dior usou babados, transparências, lacinhos nos vestidos, blusas e camisas, que vinham com sobreposições de jaquetas mais justas, como a dos meados dos anos 1600, além das calças de montaria tipo jodhpurs. Na época, as roupas masculinas ganhavam muitos e muitos enfeites, como as camisas com babado na frente, muito utilizada na coleção. Daí a pegada masculina em algumas peças. O couro em vestidos e jaquetas, casacos acinturados, meias até as coxas, botas, calcinhas aparecendo sob os vestidos de chiffon de seda, cristais e colares de várias voltas davam o tom libertino à coleção, complementado pela atitude displicente das modelos.
Abundância
Vivienne Westwood mantém seu discurso anticonsumismo, reafirmado na apresentação de sua segunda marca em Londres (a Red Label), quando disse para as pessoas pararem de consumir roupas. A inglesa, porém, não economizou tecidos no desfiles desta sexta-feira em Londres, apesar de mensagens pelo clima estampadas em algumas camisetas. As amplas silhuetas formavam volumes, tanto em casacos quanto em tailleurs e vestidos com saias em cascata.
Os drapeados surgiam também em peças mais ajustadas. A maquiagem dramática, uma capa que parecia ser feita de serpentina e coroas coloridas de papel lembravam decadência. E não dá para não falar do make criado por Vivienne para algumas modelos, com bigodinhos finos, lembrando até o usado pelo conterrâneo Galliano. Será mesmo uma crítica a tudo, do consumismo à monarquia?
Matemática
As sobreposições de echarpes, silhuetas mais largas e mistura de texturas foi a forma encontrada por pela grife Issey Miyake, desenhada por Daí Fujiwara, usou para traduzir a inspiração buscada no matemático americano William Thurston. O resultado foi a tridimensionalidade também vista em casacos com aplicações de tecidos, avolumando a silhueta, já alargada nos quadris com as calças tipo cenoura e os tricôs em várias peças.
Origami
RM by Roland Mouret trouxe uma silhueta mais seca, mas com certo volume, principalmente nas lapelas ampliadas e em camadas de jaquetas e blazers, dando a impressão de que havia um trabalho de montagem lembrando dobraduras japonesas. Aplicações tipo origami também surgiram em vestidos. O estilista usou capuz, peças curtas e cores que iam dos cinza ao bege, passando pelo rosa. Os vestidos mais ajustados, usados sem sutiãs pelas modelos e deixando o bico aparecendo, parece ser marca registrada do estilista. A primeira-dama francesa Carla Bruni vestiu da mesma forma uma peça da grife, tropeçando na etiqueta do bem-vestir (leia link acima).
Ombros
A Lanvin, desenhada pelo israelense Alber Albaz, apostou nas transparências nos brilhos e na valorização dos ombros, seja com volumes do próprio tecido, seja em peles aplicadas de cima a baixo nas mangas. Casacos, saias e vestidos pelo joelho marcaram a coleção.
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