| Reuters |
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| Desfile de Yohji Yamamoto na Semana de Moda de Paris |
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O estilista japonês Yohji Yamamoto conferiu forma romântica a roupas de trabalho, drapejando teias finas de renda preta sobre algodão branco, no primeiro grande desfile das coleções de primavera/verão em Paris.
Modelos com cabelos eriçados por estática e presos em coques ao estilo eduardiano desfilaram num antigo mercado na noite de segunda-feira, usando vestidos zipados na frente com as versões mais recentes dos tênis que Yamamoto desenha para a Adidas.
O mestre do minimalismo, que adora brincar com intercâmbios entre gêneros, encompridou camisas brancas de homens até virarem vestidos longos, alguns com pernas de calças incorporados, de modo a parecer macacões clássicos.
Enquanto Nova York exala elegância urbana cool, Londres vibra com criatividade e Milão solta sensualidade por todos os poros, Paris continua a ser a capital mundial da moda, um lugar onde estilistas de vanguarda, como Yamamoto, convivem com gigantes do luxo como a Louis Vuitton.
Yamamoto voltou ao prêt-à-porter comercial esta temporada, depois de abandoná-lo há dois anos para entrar para a mais rarefeita semana de alta-costura, quando os estilistas exibem criações feitas sob medida e destinadas a um pequeno grupo de clientes riquíssimas.
A decisão foi interpretada nos círculos da moda como sinal do enfraquecimento do apelo da alta-costura. Embora não haja dúvida de que os imperativos comerciais tenham tido sua parte de responsabilidade na decisão do estilista, Yamamoto provou que continua a jogar num time só dele.
Suas criações mais recentes dificilmente poderão ser copiadas por lojas voltadas ao grande público.
Com sua estrutura complexa e proporções espantosas, elas praticamente exigem instruções para ser feitas. Além disso, encontrar elegância em uniformes sempre foi um dos pontos mais fortes de Yamamoto.
O contraste era marcante num vestido-camisa branco longo usado com delicado casaco de renda preta, com cauda dramática.
"Eu estava curtindo os contrastes - algodão barato, seda cara, linho típico do verão, tecidos básicos, mas em minhas formas ou meus movimentos favoritos", disse o estilista depois do desfile.
"Os tecidos pregueados sempre caem retos, então são muito difíceis de drapejar no corpo da mulher. Eu quis contestar o tipo de silhueta que vai surgir no corpo."
Os editores de moda, na última parada de um mês inteiro de desfiles do prêt-à-porter internacional, saudaram a coleção poética de Yamamoto com aplausos extasiados.
"Estou tão feliz por estar em Paris - estou no céu!", comentou para uma colega nos bastidores a poderosa editora de moda do International Herald Tribune, Suzy Menkes.
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