| Reuters |
 |
| Desfile de Bora Aksu, na Semana de Moda de Londres |
 |
|
|
|
|
Londres desempenha mais uma vez o papel de incubadora de novos talentos durante a Semana da Moda, que até quinta-feira dá a chance a um exército de estilistas desconhecidos, que esperam seguir os passos de grandes nomes da moda britânica, que agora apresentam seus desfiles em outras capitais.
Com 45 desfiles de coleções de prêt-à-porter para a primavera-verão 2005, a semana da moda londrina não tem o impacto mundial de Paris (160 desfiles), nem de Nova York (90 desfiles).
As passarelas londrinas têm muitas dificuldades para atrair os compradores das grandes casas ou os chefes de redação das revistas especializadas mais influentes, que durante quatro semanas percorrem o circuito mundial da moda, iniciado em meados de setembro, em Nova York, e que se estenderá até outubro em Londres, Milão e Paris.
Se, desestimulados pelos fusos horários e os gastos astronômicos, estes especialistas precisam marcar compromissos em sua sobrecarregada agenda, freqüentemente o fazem durante a semana de desfiles em Londres, onde não se apresentam estilistas "inevitáveis".
"Os estilistas às vezes se perguntam se vale à pena investir tanto dinheiro e tanto trabalho nestes desfiles, cujo objetivo é divulgá-los para o mundo, se neles só encontram pessoas que vêem todos os dias", explica Stéphanie Salti, correspondente da revista profissional Fashion Daily News.
Mas entre as 4.500 pessoas que assistem aos desfiles de Londres nesta semana, está por exemplo a influente Concetta Lanciaux, conselheira do presidente da empresa de luxo LVMH, Bernard Arnault, sempre em busca de novos talentos para as marcas do consórcio, em particular de um sucessor para o estilista Julien Macdonald na Givenchy-Femmes.
Graças à escola de design Central St. Martins, Londres é, há muito tempo, uma incubadora de talentos, onde encontram o apoio inexistente em outros lugares.
Entre outras, a rede de lojas Topshop patrocina jovens estilistas, financiando totalmente seus desfiles durante quatro temporadas. Em contrapartida, a empresa se inspira em suas idéias para criar suas próprias roupas, vendidas para o grande público.
Mas, quando começam a sair do ninho, os mais brilhantes entre estes jovens estilistas com freqüência se lançam em vôos mais arriscados, o que já ocorreu no passado com talentos como Stella McCartney, Alexander McQueen, John Galliano e Hussein Chalayan.
Muitos "estilistas que chamam atenção em Paris são britânicos, como Galliano, McQueen, McCartney, Phoebe Philo (Chloé) e Oswald Boateng (novo diretor artístico da Givenchy-Hommes)", argumenta o Conselho Britânico de Moda.
Mas a cada ano, novas casas recusam-se a apresentar seus desfiles em Londres, caso da Pringle, que este ano mostrará sua coleção em reservado, Vivienne Westwood, que apresentará sua linha feminina em Paris e a masculina em Milão, ou a italiana Gibo, que decidiu voltar a Milão. Clements Ribeiro, Paul Smith, Nicole Farhi, Julien Macdonald, Betty Jackson e Jasper Conran apresentam suas coleções em Londres.
Descoberta em Londres, a grega Sofia Kokosalaki, que desenhou as roupas usadas pelos atletas na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas, não conseguiu terminar a tempo sua coleção para apresentar na capital britânica.
O Conselho de Moda compensa este êxodo com a chegada de novos estilistas: Alistair Carr, Swash, Ashish, Gardem, Camilla Staerk, que se apresentarão pela primeira vez, e Giles, Jonathan Saunders e Bora Aksu. "Para muitos estrangeiros que saem da Central St. Martins, a Semana da Moda de Londres continua sendo uma excelente plataforma de lançamento", reforça Stéphanie Salti.
|