Na temporada de moda masculina de Paris, que começou ontem com desfile da marca Yves Saint Laurent, e segue até domingo, a mensagem é clara: não só a crise é coisa do passado como fez nascer um novo homem.
Há algo diferente no ar. Os homens já não são os mesmos. Não têm medo de ousar, experimentar e optar por cores, peças e tecidos usados no guarda-roupa feminino. E essa inspiração não é discreta, não fica apenas na escolha dos tecidos, do corte em viés para dar mais conforto.
Começa peça cartela de cores que traz tons fortes. O laranja, que também apareceu nas coleções apresentadas em Milão, se junta ao rosa, a principal estrela da temporada masculina parisiense até agora.
Em uma passarela cor-de-rosa, o estilista Franck Boclet para Emanuel Ungaro fez do tom o principal da coleção. Está na jaqueta de camurça, na calça e camisa de seda em tom rosa bem clarinho, nas malhas. Para completar, calças saruel e acessórios, como echarpe amarrada de maneira feminina.
Jean-Paul Gaultier maximizou as referências femininas e quebra padrões, colocando modelos usando modelos tomara-que-caia e frente-única na passarela.
Até os itens clássicos do guarda-roupa masculino foram transformados: os paletós e casacos, com ombros estruturados, ganharam debruns em cores contrastantes e as listras ficaram mais largas e aparecem looks completos. Gaultier fez também a bermuda pareô e calças com zíperes nas pernas, que quando abertos deixam a peça com cara de saia.
Marc Jacobs, fã ele próprio de saias, também trouxe referências femininas para a passarela. A silhueta da Louis Vuitton está mais ampla e larguinha. A camiseta de inspiração esportiva vem em vermelho, as calças estão mais curtas, usadas com meias e sapatos coloridos, e o chinelo vem com tiras assimétricas. E depois de tantas temporadas dizendo para os homens que pregas eram coisa do passado, elas voltam nos shorts usados com as barras dobradas.