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Moda
Sexta, 29 de maio de 2009, 08h47 
Carol Trentini posa para Reinaldo Lourenço e fala com exclusividade ao Terra
 
Márcio Garcês
 
Fábio Bartelt/Divulgação
Com apenas 21 anos, Carol Trentini, é uma das tops brasileiras mais bem-sucedidas
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Ela conquistou o mundo da moda com dedicação e sem egocentrismo. De garota humilde de Panambi, pequena cidade do Rio Grande do Sul, a top model de prestígio, Carol Trentini, 21 anos, da agência Way Models, já foi capa de grandes títulos internacionais e posou para três grandes fotógrafos: Mario Testino, Patrick Dermarchelier e Steven Klein.

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Este mês, pela segunda vez consecutiva, a modelo veio ao Brasil para cumprir compromissos profissionais. Ela posou para a campanha da Forum com o rei do pornô fashion, o fotógrafo Terry Richardson, e agora faz a campanha da nova linha de roupas que o estilista Reinaldo Lourenço está desenvolvendo para C&A.

Musa da poderosa Anna Wintour, editora da Vogue America, a top brasileira também está na capa da última edição da publicação, ao lado de outras tops importantes e apontada como uma das modelos mais promissoras da nova geração. Para se ter uma idéia, a top marca presença em todas as edições da revista. Foi a única modelo a sentar na mesa da própria Anna no baile de gala da Vogue e teve seu nome grifado ao lado de outras grandes top models na exposição sobre modelos em cartaz no Museu Metropolitan, de Nova York.

De camiseta vintage com estampa do Mickey, short jeans com barra desfiada da Redley, sandália com estampa de onça da Balmain e relógio Rolex, Carol Trentini deu uma pausa na agenda para conversar com exclusividade ao Terra e dar detalhes do universo fashion.

Terra - Você está com um look casual. Esse é o tipo de roupa que gosta de usar?
Carol Trentini - Gosto de conforto na hora de vestir. Quase nunca compro roupas, tudo que tenho eu ganhei.

Terra - Como foi trabalhar com Terry Richardson pela primeira vez?
CT - Engraçado, eu e o Terry somos vizinhos em Nova York. Sempre cruzo com ele no supermercado ou quando ele está passeando com o seu cachorro, e nunca trabalhamos juntos. Eu achei que a nossa primeira experiência profissional foi bem interessante. As fotos para este trabalho ficaram lindas, com um pitada sexy que é um estilo característico do Terry e o que o povo da moda adora.

Terra - É verdade que um dos seus objetivos é batalhar mais trabalhos no Brasil?
CT - Apesar da agenda tumultuada que eu tenho lá fora, eu tenho vontade de fazer mais trabalhos no Brasil. Eu estou vivendo uma fase nova na minha carreira. Já aprendi tudo sobre a profissão e sei muito bem administrá-la. Neste caso, estou conseguindo escolher melhor os trabalhos que eu vou fazer e o Brasil sempre está nos meus planos.

Terra - Da garota humilde de Pananambi a top model em Nova York. Essa transição influenciou de alguma forma na sua personalidade?
CT - Eu sempre fui muita tímida e muito simples. Apesar de conquistar o que eu tenho até hoje, eu não mudei a minha personalidade. Acho que amadureci no meio dessa transição.

Terra - Você já passou por algum tipo de dificuldade financeira?
CT - Minha mãe sempre foi uma mulher batalhadora e apesar das dificuldades, nunca faltou comida na nossa mesa. Quando fui convidada para ser modelo, eu abracei a causa e disse pra mim mesma: eu vou vencer e vou ajudar a minha família. E foi isso o que aconteceu. Eu sempre agradeço as oportunidades que tive e fico feliz em poder retribuir com a minha família.

Terra - Você perdeu seu pai muito cedo. Em algum momento sentiu falta da figura paterna?
CT - Minha mãe sempre soube desempenhar os dois papéis muito bem. Na verdade eu tenho um padrinho, que cuidou de mim como se fosse filha dele e neste caso eu transferi as minha atenções a ele.

Terra - Você foi descoberta por um scouter. Com foi a reação de ter sido abordada para ser modelo?
CT - Eu levei um susto, pois não sabia direito como era ser modelo. Morava numa cidade pequena, com pouca informação de moda e não entendia muito bem o que era aquilo. Sempre fui muito apegada com a minha mãe e ela me incentivou e me apoiou.

Terra - O primeiro trabalho a gente nunca esquece. Qual foi o seu?
CT - Eu vim para São Paulo de excursão com um monte de meninas e acabei ficando no apartamento da agência. O meu primeiro trabalho foi para um showroom da Carlota Joaquina. Na época o Dudu Bertolini trabalhava lá e o meu cachê foi de 130 reais em permuta de roupa (risos). Eu peguei duas blusas e fiquei muito contente.

Terra - Já foi rejeitada em algum trabalho?
CT - Não gosto dessa palavra, rejeição. Eu acho que receber um "não", é comum em todo lugar. Eu já levei muitos "nãos" e levo até hoje. Neste caso é importante trabalhar a auto-estima.

Terra - Alguma vez já pensou em desistir da carreira?
CT - Já pensei, mas fui forte. Na minha primeira semana em São Paulo, chorava na área de serviço do apartamento, pois não conhecia a cidade e nada do mundo fashion. Mas aprendi a lidar com as dificuldades e falei: ou volto para Panambi e retomo os meus estudos ou entro nessa de cabeça. Optei pela segunda opção.

Terra - Um trabalho importante inesquecível.
CT - Eu devo muito ao Esteve Meisel( fotógrafo). Foi ele quem me ensinou tudo o que eu sei até hoje. Outro trabalho importante foi a primeira Vogue America que eu nunca vou esquecer.

Terra - Falando nisso, qual a impressão que você tem da editora da Vogue America, Anna Wiontour, que tem fama de durona?
CT - Nós duas sempre nos demos bem. Ela é uma pessoa muito profissional, eu até a admiro por ser a mulher que é e principalmente pelo importante papel que desempenha no mundo do moda.

Terra - Quem são os fótógrafos mais importantes com quem já trabalhou?
CT - David Sims, Patrick Dermarchelier, que é um doce, Steven Klein, Mario Testino, agora com o Terry Richadson e o Ivirng Penn, que é uma lenda da fotografia. Ele me desenha antes de tirar a foto e me diz palavras lindas como você é minha heroína da foto.

Terra- A atual crise mundial afetou a sua agenda de trabalho?
CT - Acho que não tem como tapar o sol com a peneira e fazer de conta que isto não está acontecendo. A crise está aí e ela existe. O ideal é continuarmos otimistas. Um bom exemplo é o novo presidente dos Estados Unidos. Em relação aos trabalhos, eles não diminuíram, mas as despesas foram reduzidas. Antes,era preciso dois dias para concluir um trabalho e hoje, tudo é feito em apenas um.

Terra - Qual o seu sonho de consumo?
CT - Odeio aeroporto e gostaria de ter um jatinho particular. Quem sabe algum dia (risos).
 
Especial para Terra