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Moda
Quinta, 15 de julho de 2004, 08h40 
Brasileira leva vestido de camisinha à conferência
 
Reuters
Os vestidos feitos de camisinha foram exibidos durante a 15a Conferência Internacional de AIDS em Bangcoc
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Graças a um apelo enviado por email, os vestidos feitos com preservativos pela brasileira Adriana Bertini desembarcaram em Bangcoc, onde são alvo de olhares e, para desespero da artista, de algumas mãos curiosas que passam pela 15ª Conferência Internacional de Aids.

Bertini conseguiu comover desconhecidos e arrecadar doações de US$ 10 a US$1 mil. "Não tinha dinheiro para levar os vestidos de volta ao Brasil, mas como vendi oito dos dez que trouxe, agora tenho", afirmou a artista, convidada a expor seu trabalho pelo programa cultural do evento.

Os oito vestidos foram comprados por US$ 500 cada um, "a preço de banana", por um colecionador de arte e ativista holandês. As peças serão expostas em um museu da cidade de Utrecht.

As criações com camisinhas, além de terem sido apresentadas na conferência de Aids em Barcelona há dois anos, passaram por exposições e desfiles no Brasil. Para Barcelona, ela levou modelos inspirados em divas como Marilyn Monroe, Rita Hayworth e Marlene Dietrich.

Desta vez, são vestidos mais modernos e bem coloridos. Em um deles foram usadas mais de 83 mil camisinhas e levou seis meses para ficar pronto.

Em suas criações ela usa camisinhas que não passaram no controle de qualidade, que perderam a validade ou foram apreendidas em contrabando.

Depois, com muita paciência, vem outro processo "engajado" da artista. Para se livrar das embalagens que envolvem cada camisinha, ela contrata o trabalho de pessoas que vivem com HIV/Aids e estão desempregadas.

Bertini, decidida a fazer as pessoas falarem sobre a principal matéria-prima do seu trabalho e sobre a prevenção do HIV/Aids, disse que seu próximo passo para a conferência de Toronto (2006) será tentar forçar os fabricantes de preservativos a investirem mais na divulgação do produto.

"Apesar do preservativo ser barato, em comparação aos medicamentos contra a Aids, pouco é cobrado dos fabricantes", afirmou.

"A indústria de preservativos deve ter mais responsabilidade social, pois o único remédio efetivo na prevenção da Aids é a camisinha no caso do sexo."
 

Reuters

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