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Moda
Sábado, 6 de setembro de 2008, 11h55  Atualizada às 11h54
Brasileiro se apresenta em evento paralelo à Semana de Moda de NY
 
Kamille Viola
 
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Há 10 anos, Geová Rodrigues era artista plástico e havia trocado um quadro por uma máquina de costura. Passeando pela 7ª Avenida, em Nova York, resolveu catar retalhos de grifes chiques que ficavam por ali, como Calvin Klein, Gucci e Donna Karan. Com eles, criou uma minicoleção que acabou caindo nas graças de Anna Levak, editora de moda da conceituada revista Harper's Bazaar.

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Neste sábado, Geová se apresenta pela décima vez em evento paralelo à Semana de Moda de Nova Iorque, que começou ontem. Os vestidos da coleção, uma retrospectiva dos 10 anos de carreira do designer, custam entre 1.800 e 4.500 dólares. "É uma evolução da minha roupa, do primeiro ao último show", explica.

O estilista também cria em cima de trabalhos alheios. "Customizei um sapato de Manolo Blahnik e peguei um suéter vintage Balenciaga, desmanchei e fiz um vestido", exemplifica.

Os bordados, outra marca de seu trabalho, marcam presença. "Tudo o que eu fiz nesses 10 anos teve bordado", conta. Além disso, roupas de seu primeiro desfile foram transformadas para a comemoração. "Acrescentei detalhes em dois vestidos e vou mostrar uma camisa que é do meio da minha carreira", revela.

Ele também aposta na força dos acessórios, sem medo de parecer exagerado. "Tem chapéus enormes, com tule preto e branco. Acabei aplicando em um deles um boneco. Em breve, farei uma exposição só de bonecos", avisa animado.

Famosas como Rachel Weisz, Hillary Swank, Kate Moss, Fernanda Tavares (amiga de Geová) e Luana Piovani são fãs de suas criações. ¿Minha roupa tem uma concepção artística com toque de alta costura¿, explica o brasileiro.

Uma história de sucesso
Um final mais que feliz para o menino nascido na pequena cidade de Barcelona, a 80 quilômetros de Natal, no Rio Grande do Norte, numa família humilde, de 13 irmãos, que sonhava dançar. "Sempre fui artista. Queria ser bailarino. Minha mãe disse que isso não era profissão de homem e queria que eu fosse padre. Mas eu odiava, então resolvi trabalhar em banco", lembra.

Meses antes de completar 17 anos, ele foi para São Paulo trabalhar como office-boy e bancário. Com um amigo, começou a fazer performances em boates. "O dono adorava a gente, que era excêntrico", diverte-se Geová. Numa dessas performances, "queimou uns plásticos" e foi convidado para participar da exposição coletiva Conexão Urbana, em 1985.

Expôs também em lugares como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e na Funarte. Até que, numa extinta galeria de São Paulo, uma coleção inteira de Geová foi arrematada por um milionário. "Com esse dinheiro, fui para Paris", conta. Ficou na capital francesa por dois anos, até que se mandou para Nova York com um amigo. "Odiei e fui para a Carolina do Norte, onde fiquei por três anos", diz ele.

De volta à cidade, continuou pintando quadros, o que aprendeu a fazer sozinho. E, assim, criou um estilo próprio. "Corto a roupa no chão, faço a modelagem com bonecas de vitrine. Quando começo uma coisa, vou até o fim", diz. Até o fim e bem longe.


 
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