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Sábado, 19 de julho de 2008, 09h49 Atualizada às 09h47 Madonna troca estilo chocante por look tedioso |
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Eric Wilson |
Se você está acompanhando as notícias sobre a crise no casamento de Madonna e prestou atenção às imagens que as ilustram, dominadas por uma foto tirada no Festival de Cannes, em maio, na qual ela aparece usando um vestido cor de rosa de Stella McCartney, com um grande laço no pescoço -um modelo chocho a ponto de parecer costurado em casa-, poderia pensar que a grande provocadora enfim perdeu o charme e agora se tornou "Mamma Madonna".
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Para uma estrela que passou 25 anos subjugando as audiências pelo choque, por meio de suas letras, atitudes e roupas, a mais recente reinvenção estilística de Madonna - calculada para coincidir com o início de uma nova turnê no mês que vem - choca principalmente pela falta de choque. O novo look de Madonna, tal qual visto nas fotos tiradas por paparazzi nas ruas de Nova York durante as últimas semanas, tem algo de atlético e universitário, casual e banal, como se criado para as academias de ginástica.
Em uma foto, que a mostra a caminho de um jantar, ela está vestindo uma blusa larga e shorts de cetim frouxos, além de um colant transparente que parece cortado nas pernas e um par de sapatos Miu Miu acompanhado por bolsa Louis Vuitton da temporada passada. É um look criado para chocar, mas tedioso diante dos estilos sempre mutáveis que Madonna promoveu no passado.
"Para mim ela parece Christie Brinkley vestida para o tribunal", disse Betsey Johnson, estilista e veterana proponente de tutus, luvas de renda sem dedos e vestidos de festa - itens que no passado eram característicos do guarda-roupa de Madonna. "Ela parece bem normal agora, não?"
Seria possível argumentar, ainda que a risco de parecer preconceituoso contra os mais velhos, que cantoras como Cher e Barbra Streisand também começaram a perder seu poder de moda ao iniciarem sucessões aparentemente infindáveis de turnês de despedida.
Madonna, que completará 50 anos em 16 de agosto, planeja se manter nos palcos por mais uma década, como parte de um recente contrato com a Live Nation, uma empresa que promove shows, e isso suscita o espectro de uma audiência envelhecida e cada vez mais desinteressada em acompanhar a tendência do momento quanto a sutiãs cônicos, tatuagens de henna ou chapéus de caubói.
Na turnê Confessions, dois anos atrás, o público parecia perceptivelmente mais velho e menos inclinado a pular da cadeira ao ver Madonna cantando.
No ano passado, o índice Q positivo de Madonna, que combina uma medida de familiaridade e atração, era de 13, ante um nível positivo médio de 17 para a maioria dos artistas, e seu índice Q negativo, que representa as pessoas que a rejeitam, era de 39. Isso revela uma ligeira queda em sua popularidade, que em 2000 era de 14 no índice positivo. "Isso ressalta o fato de que a base de fãs de Madonna não mudou", disse Steven Levitt, presidente da Marketing Evaluations, que calcula o índice Q.
Na capa de seu mais recente álbum, Hard Candy, Madonna surge com nova imagem, a de lutadora. Parece a candidata da equipe Dolce & Gabbana para o programa de luta American Gladiators, usando um collant preto e um cinturão de boxe. A maquiagem é pálida, o que lhe dá uma certa cara de alienígena. Os primeiros vídeos do disco, 4 Minutes e Give It 2 Me, a mostram dançando em tops transparentes e botas de salto alto, de marcas como Chanel e Roberto Cavalli.
Mas nenhum dos vídeos resultou em um novo estilo Madonna que tenha ganho popularidade, bem diferente do que acontecia com as personas instantâneas que ela assumia nos anos 80 e 90. Isso confunde os fãs da cantora. "Ela não parece ter um look definido, neste disco", diz Clare Parmenter, 35 anos, cientista biomédica londrina que mantém um site de fãs chamado Madonnalicious.com. "É meio... Não sei descrever. Sem estilo".
Clare se deixou conquistar pela Madonna de Desperately Seking Susan, o filme de 1985 que definiu o look plástico e exagerado da moda da década. As pilhas de pulseiras plásticas, as luvas de renda e o cabelo - tingido de loiro mas com as raízes escuras aparecendo. E preso com tiras de velhos trajes de dança - se tornaram a inspiração para as lojas de roupa feminina.
A turnê Blonde Ambition, de 1990, incluía os sutiãs cônicos de Jean-Paul Gaultier e estabeleceu, por bem ou por mal, o uso de roupas de baixo por cima. E o choque causado por sua adesão à moda country para o álbum Music, em 2000, ainda se fazem sentir. Já no caso de Hard Candy, nem tanto.
"Ainda vemos gente usando chapéus de caubói em público", diz Clare. "Mas não vou sair pela rua usando um cinturão de boxe. Não há nada que se possa definir como imagem definitiva do álbum".
Jay Engel, 29 anos, que opera o site Absolutemadonna.com, também dedicado aos fãs da cantora, não entende por que o tema de boxe que ela adotou na capa do álbum não foi estendido aos vídeos que o promovem. "No momento, eu diria que ela está em transição", afirma Jay, que vive em Toronto. "Talvez ela esteja se sentindo desconfortável e imaginando o que fazer aos 50 anos. Odeio dizer, mas não parece que ela se sinta muito confortável no momento".
Mas Mauricio Padilha, sócio da produtora de moda MAO, defende as escolhas de Madonna, e até mesmo posou para uma foto usada no convite para sua festa de aniversário usando um cinturão de boxe.
"O look todo dela fala sobre ganhar força, tomar o poder. É mais ou menos como as roupas que ela costumava usar no começo de sua carreira, mas com um resultado mais clean. Agora, ela usa apenas uma gargantilha com um crucifixo para lembrar a todos que ela ainda é Madonna".
Tradução: Amy Traduções
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The New York Times
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