| Nilson Celio de Paula Junior /vc repórter |
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| A moda da marca Q-Guai tem inspiração nos tecidos e cores de Barcelona, na Espanha |
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Cansados e incomodados pela "massificação das grifes nacionais", jovens estilistas cariocas resolveram colocar a mão na massa, ou melhor, nas linhas, agulhas e tecidos, para mudar os paradigmas da moda no Rio de Janeiro, principalmente a moda masculina. Nos últimos cinco anos, a tendência dessa nova geração vem se firmando no mercado e lançando marcas e lojas na zona sul da cidade.
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"Eu não me sentia representado pelas marcas que monopolizam o mercado, principalmente na moda masculina. Como conseqüência disso, todos se vestem e se comunicam com as roupas de uma forma muito parecida. Percebemos a oportunidade que existia na apresentação de uma nova proposta, um novo conceito, algo que fosse mais exclusivo e original", diz Rony Meisler, 27 anos, sócio da marca Reserva, ao lado de Fernando Sigal, 26 anos. Desde 2004, eles já venderam cerca de 100 mil peças em 50 lojas de todo o país.
Outro ponto em comum entre esses estilistas, além da busca pelo exclusivo, são as trajetórias de vida. Muitos são amigos há bastante tempo e compartilham o sonho de serem bem sucedidos profissionalmente.
"A idéia de criar a Q-Guai, que significa "legal" em espanhol, nasceu em Barcelona, onde estudávamos moda e belas artes. Já éramos amigas inseparáveis há 10 anos", conta Maria do Rosário, 30 anos, sócia de Amanda Haegler, 28 anos, que acabaram de inaugurar uma loja na rua Henrique Dumont, em Ipanema.
Moda que dita o comportamento
E o público desses novos estilistas também é bastante variado. Se alguns buscam as tribos mais alternativas, outros preferem inventar moda em estilos bem conhecidos, como o dos surfistas. André Pires, que é formado em Comunicação Social, abriu sua própria loja e já patrocina campeonatos e atletas profissionais de surf.
"Quando a Lanho surgiu não tínhamos em quem nos espelhar, já que as outras empresas no mercado eram muito maiores e com outra realidade. Hoje em dia é relativamente fácil você criar uma marca. E o exemplo de sucesso de algumas só estimula que outros tentem fazer igual. Mas não basta ter uma idéia na cabeça, um molde e alguns amigos para garantir o sucesso de uma marca", alerta Pires.
Para Bianca Cerdeira, proprietária da marca Basicamente, moda tem a ver com comportamento e dá dicas aos estilistas iniciantes. "Os jovens cada vez mais crescem com experiências de marca, elas são sua referência e encantam, seduzem e deslubram. Ser fashion é ser atual. Os novos profissionais estão divididos em dois grupos: os que fazem por deslumbramento e ilusão, provavelmente fadados ao fracasso, e os que fazem com trabalho duro, observação e inovação profissional".
Cursos profissionais
O caminho do sucesso não é óbvio, mas alguns detalhes podem fazer a diferença, como a graduação em design de moda ou os cursos técnicos espalhados pelo País. Freqüentar uma faculdade de moda traz, além do conhecimento adquirido nos bancos escolares, a possibilidade de conhecer pessoas envolvidas na cadeia produtiva e a oportunidade de participar de estágios recomendados pela instituição.
Lu Cattoira, coordenadora do curso de moda do Senai/Cetiqt, acredita que a idéia dessas escolas é proporcionar a vivência no processo de criação. "O governo do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, nos solicitou que criássemos dois uniformes para os funcionários do Metrô. Abrimos um concurso entre os alunos para escolher o melhor projeto. Elaboramos também a camiseta comemorativa pelos 100 anos do América Futebol Clube, além da logomarca para o projeto Algodão Colorido da Embrapa. Os pedidos das empresas viram material de sala de aula, dessa forma o aluno vivencia todo o processo profundamente".
Mesmo com esse empurrãozinho acadêmico em cursos específicos de moda, alguns estilistas também vêm de outras áreas de criação. Pedro Cardoso e Ricardo Bräutigam, ambos de 28 anos, trilharam esse caminho e não se arrependem. "Sempre nos interessamos por moda, mas nossa formação é em desenho industrial. Quando pensamos na idéia de lançar nossa própria marca, passamos a acompanhar mais de perto, observando as tendências e mensagens em todas as mídias possíveis: revistas, livros, filmes, seriados de TV e pessoas na rua, seja no Brasil ou em viagens para o exterior", diz Cardoso, que atualmente tem sua própria marca de camisetas, a Balasarae.
Apesar do sucesso dessa turma no mundo da moda, a professora Paula Acioli, do curso de História da Moda no MBC de Gestão em negócios de moda, da UniverCidade/AZOV, alerta: o caminho é repleto de percalços e perseverança é a palavra de ordem para quem pretende lançar uma marca.
Bianca Cerdeira também ressalta que as marcas que prosperam e evoluem são as que conseguem identificar as tendências de cada momento e adequá-las ao seu público de forma diferenciada, sem perder seu posicionamento e qualidade. "É preciso não estagnar, não perder o rumo e sempre respeitar seu público", finaliza ela.
O internauta Nilson Celio de Paula Junior, do Rio de Janeiro (RJ), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.
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