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Moda
Segunda, 25 de fevereiro de 2008, 11h15 
Oscar: moda do tapete vermelho não tem ousadia
 
Eric Wilson
 
The New York Times
Cameron Diaz optou por um tomara-que-caia de cor pálida
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A indústria do cinema deve ter acordado da greve dos roteiristas com uma infame ressaca, incapaz até de pensar sobre coisas como festas e vestidos. A greve causou tamanho desânimo que alguns dos atores que compareceram à cerimônia do Oscar este ano pareciam absolutamente despreocupados com a moda - como se estivessem se esforçando por demonstrar que não são superficiais - ou talvez que haviam se vestido sem acender a luz, em uma tarde chuvosa de domingo.

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Os acertos foram poucos e os erros, bem, pareciam ter sido menos resultado da ousadia de atrizes que desafiam as convenções da moda (uma facção liderada por Tilda Swinton, cujo vestido era um bloco disforme de tecido preto que parecia ter sido desenhado por um estilista cuja norma é o volume) do que por uma espécie de mal-estar generalizado quanto a cerimônias.

"Acredito que muita gente tenha escolhido a segurança", disse Kimora Lee Simmons, usualmente bastante extrovertida quanto a questões de moda, em entrevista. "Para mim, segurança é sempre tedioso".

Os astros e estrelas decerto merecem certa latitude em suas opções, mas seria de imaginar que, depois de meses de depressão e pessimismo, o setor de moda teria demonstrado um pouco mais de animação. Em lugar disso, as escolhas pareciam ser apenas duas: usar vermelho e parecer seriamente correta e usar preto e parecer corretamente séria.

O primeiro time incluía Katherine Heigl, em um vestido Escada de ombro único; Ruby Lee, em um vestido cinturado de cetim e jaqueta, de Kevan Hall; Miley Cyrus em um modelo Valentino devidamente juvenil; e Anne Hathaway em um lindo vestido Marchesa com um cinturão florido. Entre as sérias estavam Amy Ryan em uma toga Calvin Klein reta (e na verdade azul marinha) e Jennifer Garner, em um Oscar de la Renta de tafetá de seda bordado. Poucas das mulheres usavam jóias vistosas - um sinal de sobriedade -, exceto as vestidas de preto, mas isso é explicável porque elas tinham de se esforçar mais para provar presença.

Mesmo assim, exibidos diante de um pano de fundo de céu cinzento e nublado, os vestidos pretos pareciam iguais a ponto de nem merecerem uma verificação de etiqueta. Não foi esse o caso para duas mulheres que optaram pelo púrpura: Cate Blanchett, que parecia radiante em um vestido de cetim com decote profundo, decorado por contas verdes que combinavam com seus brincos; e Jessica Alba, que usava um vestido Marchesa com detalhes em renda.

Também houve alguns momentos desastrosos, que os modernos avanços na profissão da moda pareciam ter eliminado nos últimos anos. Swinton, demonstrando o coração de alguém que ama Dobby, o elfo doméstico, provavelmente despertará no dia seguinte carregando alguns machucados causados por seu vestido (Lanvin), e o mesmo vale para Marion Cotillard, a atriz francesa usualmente chic de La Vie em Rose, que optou por um modelo de sereia criado por Jean-Paul Gaultier, com uma estampa nada sutil em forma de escamas. Entendeu a referência? Escama. Sereia.

Mas as maiores mancadas tendiam a vir do lado oposto dos arbustos que demarcavam a área do tapete vermelho, por trás dos quais comentaristas tropeçavam uns nos outros a fim de elogiar, admirar com olhos arregalados e questionar gentilmente. Na rede de TV ABC, que transmitiu o evento, George Pannacchio parece ter saído derrotado em seu confronto com Heidi Klum, que estava usando um vestido vermelho com um decote em formato de moldura de foto e uma pilha de cabelo que parecia sólida como madeira no topo da cabeça.

"O vestido é do estilista norte-americano Michael Kors?", ele perguntou, mencionando um dos jurados de Project Runway, o programa apresentado por Klum.

"Não", ela respondeu, com cara de poucos amigos. "É de Galliano". No canal E!, nos momentos em que Ryan Seacrest não estava inexplicavelmente brincando com Barbies nos intervalos entre as entrevistas, ele interrogou Amy Adams, que parecia muito bonita em um vestido Proenza Schouler verde pálido e sem alças, que ressaltava sua pele pálida e cabelo avermelhado.

Ele perguntou sobre a frágil bolsa de fios dourados que pendia de uma corrente entrelaçada nos dedos da atriz, e quis saber se não servia para carregar nada; se era só um enfeite.

"É uma bolsa mesmo", protestou Amy. "Tenho um batom invisível guardado aqui". Mas a bolsa, como a moda da noite do Oscar, na verdade estava vazia.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
 
The New York Times