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Quinta, 5 de outubro de 2006, 09h27 Atualizada às 09h44 Modelo "GG" de Gaultier reacende polêmica sobre magreza |
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| Reuters |
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| A aparição da modelo Velvet foi uma resposta irônica do estilista as regras impostas pela Espanha, que proibiu modelos muito magras em suas passarelas |
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Gordinhas, animem-se: está chegando a hora da revanche. Pelo menos se depender do estilista francês Jean Paul Gaultier, que apostou em Velvet, uma modelo com silhueta pra lá de arrendondada para ser destaque absoluto de seu desfile, desta terça-feira, em Paris. Em entrevista na capital francesa, a modelo "GG" afirmou que gostaria de um marido brasileiro.
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Brincadeira de um designer irreverente ou não, Gaultier reacendeu a polêmica, que começou em setembro, quando modelos com IMC (índice de massa corpórea) abaixo de 18 foram proibidas de participar da Semana de Moda de Madri, por terem visual semelhante às anoréxicas.
O planeta fashion reagiu e a proibição foi "deletada" nas Semanas de Moda de Londres, Milão e Paris. A discussão foi parcialmente esquecida, até Velvet aparecer toda prosa de lingerie preta, mostrando que as gordas também têm vez.
A carioca Mariana Nogueira, 30 anos, que há alguns meses exibiu a beleza de seus 82 kg na revista Trip, vibrou com Velvet e Gaultier. "É o máximo. Essa ditadura da magreza já levou muita mulher para a análise", diz.
A estilista da Tessuti, Clara Vasconcellos, também adorou. "É bom lembrar que as gordas já foram modelos em outra época", reflete, assumindo que a mulher da passarela é idealizada, distante da realidade. "É perigoso, já que a gente vai deixando de enxergar beleza. É bonito ter mais corpo, mais carne", avalia
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A consultora de moda Glória Kalil considera tudo uma boa jogada de marketing: "Não foi a primeira vez que Gaultier usou pessoas comuns, gordas inclusive. Continuo achando a magreza um padrão estético mais contemporâneo, que simboliza uma ruptura com a silhueta das mulheres de antigamente, repletas de gorduras extras ligadas à maternidade e ao ócio".
Para a atriz e gordinha Fabiana Karla, que se prepara para estrelar uma peça infantil chamada Fofunzel, a tendência agora é a simplicidade. "A moda é ser autêntico. E nesse caso eu já estou na moda há tempos", brinca.
A indústria da beleza, que volta e meia faz campanhas valorizando o corpo e as marcas do tempo nas mulheres de verdade, já entendeu o recado. Seguindo a mesma filosofia, a estilista Maria Fernanda Lucena planeja quebrar a ditadura dos tamanhos PP e P e criar marca para mulheres acima do peso. "Tenho muitos pedidos. Abaixo a estética da magreza e da eterna juventude. Está chegando a hora da virada", palpita.
Palpite pouco provável para o diretor da agência de modelos Marilyn, Zeca de Abreu, que tem em seu elenco beldades como a top Carol Trentini. "A mulher longilínea dá elegância à criação dos estilistas. Este é o padrão da nossa época. Quem sabe daqui a 10 anos não muda?", dispara.
Entrevista
A voz, rouca e sexy, é calculada para contrastar com o visual. Aos 39 anos, a americana Velvet se converteu na grande estrela da temporada de moda parisiense ao surgir anteontem, com seus mais de 130 kg enfiados numa lingerie, na passarela do desfile de Jean Paul Gaultier. Modelo da agência Contrebande há um ano, ela também brilha no filme Ávida, de Benôit Deléphine e Gustave Kerven, ganhador de um prêmio especial no Festival de Cannes 2006. Disputadíssima por toda a imprensa internacional, Velvet concedeu essa entrevista exclusiva num almoço nesta terça-feira em Paris.
É a vingança das gordas contra as anoréxicas?
Vingança, não. Eu só quero ajudar as pessoas a se aceitarem como são. Não tenho nada contra as anoréxicas. Sou a favor da diversidade: o mundo é feito de velhos, jovens, gordos e anoréxicos. Todos são bonitos.
Como você se sentiu desfilando de lingerie?
No começo fiquei nervosa. Depois, me senti brilhante. Magreza não é felicidade. Vejo tanta gente magra que nunca fez o que eu fiz. Desfilei no tapete vermelho em Cannes, nas passarelas de Galliano e Gaultier, atuei numa companhia de dança contemporânea...
Você já sofreu muito preconceito por ser gorda?
Por ser gorda, não, mas por encarnar este personagem mais sensual. Os homens não entendem.
Você posaria nua?
Já posei nua para o cartaz do filme Ávida, que protagonizei. Mas havia um contexto, aquilo era uma homenagem a Salvador Dalí. Um site chamado Bodacious, especializado em ensaios sensuais de pessoas gordas, me convidou para posar, mas eu recusei, porque as gordas ou são vistas de maneira assexuada ou pornográfica. Quero mudar isso.
Algum plano para todo este sucesso?
Gostaria de um marido brasileiro. De preferência, jogador de futebol...
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O Dia
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