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Direto de Nova York
TV americana vive febre de programas de "makeover"
 
Guto Barra/ Direto de NY
 
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The Queer Eye for the Straight Guy
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A TV americana vive momento de obsessão com os programas de makeovers, em que pessoas "cafonas" e "sem estilo" são "salvas" por quem entende de moda. Programas como The Queer Eye for the Straight Guy, Fashion Court e What Not to Wear divertem ao mesmo tempo que dão dicas de estilos para os telespectadores "necessitados". É o mundo fashion se transformando cada vez mais em entretenimento para quem não tem nada a ver com a moda.

Em What Not to Wear, sucesso da BBC inglesa que ganhou versão americana há poucos meses, um amigo-da-onça ajuda a equipe a filmar uma pessoa que está precisando ser salva da própria incapacidade fashion. Depois de duas semanas de registros feitos com câmeras escondidas, o coitado ou coitada descobre que foi vítima das filmagens - e ganha US$ 5 mil para fazer compras em Nova York.

O problema é que, antes de correr para as lojas, a vítima tem que mostrar todo o guarda-roupa para os apresentadores do programa, um casal de personal stylists famosos, que jogam quase todas as peças no lixo, explicando o problema de cada uma delas e fazendo piadas ácidas. No fim, a pessoa ganha um novo visual e, em geral, fica feliz da vida. Na versão da BBC, apenas uma personagem disse que preferia seu look anterior.

Fashion Court, do canal Style, é mais esculhambado. No programa ambientado em um tribunal, a vítima tem seu estilo criticado por "testemunhas" e recebe a opinião de jurados como o decorador Bobby Trendy, que apareceu no programa de Anna Nicole Smith e uma das maiores piadas da TV nos últimos tempos. O juiz decide o veredito, em geral proclamando a pessoa "culpada de crime contra a moda". Ela ganha uma transformação total e, em geral, tudo acaba em alegria.

O mais bem-sucedido - e criativo - de todos é o fenômeno The Queer Eye for the Straight Guy (algo como "O Olhar Gay Para o Sujeito Hétero"), que traz cinco especialistas em áreas variadas, escolhidos entre 500 candidatos de todo o país. O stylist Carson Kressley fica responsável pelas mudanças no guarda-roupa, enquanto o crítico de gastronomia da revista Esquire, Ted Allen, ensina truques de cozinha. O ator Jai Rodriguez dá dicas culturais, enquanto o decorador Thom Filicia renova o apartamento ou casa do convidado. Por fim, o especialista em comésticos Kyan Douglas remodela o corte de cabelo do sujeito e ensina cuidados com a pele.

Para "transformar" a vida do escolhido, a produção gasta entre US$ 2,5 e US$ 10 mil, entre roupas, móveis e acessórios. O makeover, acompanhado pelas câmeras, chega a durar três dias, período em que o convidado é instalado em um hotel. Carson é, de longe, o mais engraçado, "esculhambando" o participante, sem ser "venenoso". No último episódio, ao ouvir que um convidado comprou uma camisa no K-Mart, espécie de Lojas Americanas dos Estados Unidos, ele soltou a pérola: "Não use este tipo de linguagem perto de mim!"

É claro que mal-humorados consideram os programas de makeover superficiais ou preconceituosos, mas a verdade é que eles são pura diversão e acabam tendo sua utilidade. Obviamente ninguém deve levar a sério o clima de policiamento e obrigação de seguir regras, mas o que esses shows propõem é um olhar diferente e bem-humorado sobre um assunto que afeta todo mundo. As dicas, em geral, têm a ver com erros básicos de proporção e caimento das roupas, bem mais comuns do que se imagina.

No Brasil, com certeza, este tipo de programa faria muito sucesso. E não faltaria material humano para servir de cobaia...
 
Redação Terra