Iesa Rodrigues

Semana de moda agita o Rio: confira o que esperar dos desfiles

18 mai

Publicado às 10h05

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Nem Rio + 20, nem a crise na Europa, nem alta do dólar. Na semana que vem o assunto do povo da moda é o verão de 2012/2013. Há quem se indigne: como, uma alienação destas, em meio a tantas turbulências econômicas no planeta? Ouvimos a indignação e vamos explicar tudo de novo: Fashion Rio e Fashion Business representam a ponta do iceberg do setor têxtil. O glamour dos desfiles parece inacessível? Mas há neles uma magia que lembra teatro, esta transformação de uma mera camiseta em parte integrante de um look de passarela. A mesma camiseta tecida, tingida e confeccionada dentro da cadeia de produção de um dos maiores setores econômicos do Brasil. Aí a coisa vai ficando séria? Nem vamos continuar comentando sobre a importância de garantir o poder da indústria têxtil, competindo com as importações. Ou lembrar que todas – TODAS – as marcas internacionais estão de olho no nosso consumo.

Assim, prestemos atenção no que a moda vai nos falar na semana que vem. Nem todas as marcas desfilam, há soluções diferentes: na segunda, dia 21, Patricia Viera mostra a coleção no cinema do Fashion Mall; Mara MacDowell será homenageada por um vídeo dentro de um projeto que pretende recuperar a memória da moda e aproveita para mostrar os modelos inspirados nas luzes do Norte, aurora boreal e outros fenômenos gélidos para refrescar o verão. Victor Dzenk encerra a semana do Fashion Business, aí sim, com show, modelos, passarela e música no Centro comunitário da Rocinha. Os demais quase 200 participantes do Fashion Business estarão focados nas vendas na tenda montada no estacionamento do Fashion Mall e no hotel Royal Tulip, prontos para seduzir os mil compradores vips convidados.

No Fashion Rio, deslocado do Cais do Porto para o Jockey Clube da Gávea (ainda bem, porque o Pier Mauá está cercado de obras), os desfiles continuam a ser as atrações. A agenda abre com a moda praia da Blue Man e encerra com a volta da Reserva às passarelas. Há mais praia desta vez, já que a Cia Marítima e a Poko Pano se deslocaram de São Paulo para o Rio, acompanhando Triya, Salinas e Lenny nas propostas para ondas e piscinas.

Na Ausländer a inspiração foi o próprio grupo que faz a marca; Filhas de Gaia mantém a aposta nos volumes e em cores marcantes. A Tótem vai de Oahu a Venice Beach no estilo confortável e estampado, mas a Salinas prefere Crilouros, Guaranisseis, Tupinamboclos, Mamemulatos, a mistura brasileira traduzida em biquínis de modelagem perfeita. Nica Kessler vai por a mesa – ooops, a moda – com estampas das louças portuguesas Vista Alegre e a Maria Bonita Extra amplia o alcance das anquinhas do inverno, transformadas nos peplos que andam contagiando as coleções internacionais.

Enquanto a maioria dos convidados circula nos lounges, show-rooms e nos túneis de São Conrado, que unem a região do Jockey Clube ao local do Fashion Mall, quem se interessa por ouros, brilhantes e pedras preciosas ainda dará uma passada no hotel Fasano, para ver a edição do Jóia Brasil.

O Rio Moda Hype se integra mais dentro da agenda do Fashion Rio. Em lugar da apresentação na véspera dos desfiles de marcas comerciais, o grupo, que se reduziu para cinco criadores –  Akihito Hira, André Lucian, Antonio Bizarro, Sann Mascuccy e Martins Paulo – desfila 50 looks (dez cada um) no dia 24, às 11h30. 

E as celebridades? Por enquanto, somente a TNG investe em uma, a atriz Isis Valverde, que vai enfrentar a comparação com as modelos de 1m80 na passarela do Jockey Clube. Se ela sorrir, já vai agradar.

Vamos torcer para que a semana do Rio traga ânimo para o setor da moda brasileira. Quanto à eterna questão do excesso de semanas de moda no Brasil, reforço a opinião que a nossa dimensão continental praticamente obriga a esta diversidade e quantidade de eventos. Cada região ou Estado brasileiro tem características diferentes na maneira de fazer, consumir e vestir moda. Um Dragão Fashion, em Fortaleza, vale a viagem de três horas de São Paulo ou Rio para ver de perto; um Minas Trend está se afirmando como um polo lançador de acessórios e moda festa capaz de conquistar lojas internacionais. As Fenim, de Gramado, são vitrines da produção e dos estilos do sul e da moda masculina. E vamos parando por aqui com esta lengalenga de lugares e frequências de semanas de lançamentos. Quem decide onde e quando deve haver evento é o comprador, a verdadeira mola mestra da moda. 

A edição de inverno 2012 da SPFW

24 jan

Publicado às 23h23

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Há várias maneiras de analisar uma semana de moda. Primeiro, pelo genérico. A ambientação, os serviços, a organização. Este ponto foi mais simples, sem tantos enfeites na Bienal, muito diferente dos tempos em que havia piso de grama no primeiro andar ou sopa de ervilha na sala de imprensa, onde à tardinha os estilistas vinham conversar com jornalistas. São outros tempos, outros patrocínios, outros objetivos.

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Outra maneira, é decupar o que se pode pretender vestir, a partir das coleções mostradas. Vamos lá:

Brilho. Muito lurex, muito adamascado. O cobre e o ouro disputam a preferência

Cores. Na dúvida, vá de preto. Cinza-escuro também vale, misturado ao preto ou branco. Algum vermelho, muitos verdes, um pouco de azul marinho. Os beges correm por fora. E os azulões sumiram do mapa

Padrões. Decorativos, como estofados, tapeçarias, flores rebordadas de renda ou cobertas de paetês. Xadrez eventual. Pied-de-poule usado casual

Materiais. A discussão da semana, sobre o uso de peles verdadeiras. Pele feita com fio de tricô escovado, mohair arrepiado, fio sintético, pelúcia. Couro, muito. Python em acessórios. Sedas de todos os tipos. Veludos. Tecidos retrabalhados com relevos, nervuras, devoré, desfiados

Formas. Mais estreitas, cintura marcada. Alguns ombros importantes. Anquinhas e basques. Comprimentos permitem os curtos, mas preferem os mais longos, próximos dos joelhos

Acessórios. Não há bolsas imperdíveis. O sapato oxford praticamente sumiu, os escarpins quase perderam as plataformas, mas os saltos continuam altos. Muito bordado e cristais nos sapatos. Botas de cano curto, coturnos estilizados, solados anabela

Beleza. Em semana de desfiles, o rabo de cavalo predomina, porque facilita cumprir os horários. De qualquer forma, o liso continua. Os batons laranja, os foscos e os nudes convenceram como se fosse verão. Sobrancelhas somem ou engrossam

Interessante é reparar que, com exceção da beleza e dos comprimentos, estes pontos valem também para a moda masculina.

Outra forma é o ranking, uma dificuldade em semanas longas, porque fatalmente são esquecidos valores dos primeiros dias. Entre os melhores desfiles figuram Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch masculino, Lino Villaventura, Osklen e João Pimenta. Melhores coleções, Pedro Lourenço, Cavalera, Ellus, Huis Clos, Samuel Cirnansck. Fause Haten mostrou peças lindas

E a última forma, o geral. A SPFW parece prestes a se dividir em duas semanas distintas. A primeira, com belos desfiles e styling afiado, para moda comercial, casual, marcante da temporada. A segunda, mais autoral, próxima de uma alta costura, com as coleções elaboradas, atemporais. Claro que isto exige uma estratégia diferente para cada uma, ambientes de acordo com o requinte da segunda.  

Antes de modificar o conceito, vamos planejar as datas. O normal seria prever com antecedência de um ano. O real é ter mais ou menos certeza que o próximo evento de São Paulo será no princípio de junho.  O resto, onde, como e quando, fica por conta do futuro.

O que foi o último dia da SPFW

24 jan

Publicado às 22h54

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Engraçado, parece que o último dia é sempre o melhor de um evento. As pessoas estão mais animadas, conformadas com o fato de que estão assistindo a uma sucessão de trabalhos autorais durante quase uma semana. E que isto é um privilégio, para quem gosta de moda. 

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Ainda que a Neon tenha decepcionado, como primeiro desfile, a reação geral foi de espanto, de torcida frustrada. Nunca de rejeição ou desprezo. Na volta à Bienal, Fernanda Yamamoto mostrou que representa uma renovação do time de estilo paulista, que anda precisando de nomes novos. Alexandre Herchcovitch foi o mestre de sempre, com seus judeus russos de ternos pretos e bonés de pelos – ele supera a si mesmo, quando comparamos o seu masculino com o feminino: o masculino sempre ganha. Depois, a alegria com fundamento da Amapô, que também começa a levar a sério  a participação em um grande evento. E o fecho da semana, com o luxo marajoara do André Lima.

A melhor prova de que o último dia foi empolgante é o fato de ter passado tão rápido. 

André Lima fecha com Marajó

24 jan

Publicado às 22h37

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Mais uma vez, o paraense André Lima faz o desfile de encerramento da São Paulo Fashion Week. Como adaptado a São Paulo, consegue fazer um mix de selva, tribo, ilha, búfalos e cidade cosmopolita. Foi a referência na ilha de Marajó que resultou nos looks com cabeças ornadas por chifres de búfalo e laços, nas estampas com traço em tons de cerâmica marajoara. Da cidade, veio o estilo suntuoso, em tecidos dourados, laminados, preciosos em estampas de penas em sedas nas saias rodadas, com barras franzidas. Não há volumes excessivos, porque a queda dos tecidos impedia o exagero rodopiante. Da cintura para cima, os decotes são recortados nas costas e com dobras na frente. Há outra lembrança, esta sempre presente no trabalho do André Lima: o Oriente, sutilmente insinuado nas faixas largas como obis tropicais. 

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A opção para tanta saia e decotes foi o terno, o primeiro look do desfile, em lamê azul na frente e misturando tecidos nas costas. Outro destaque, a calça dourada de cintura alta, alongante. Sempre com o corte feminino, elegante e beirando o extremo luxo de alta-costura. 

No final, ao som de Ney Matogrosso, as modelos entraram na formação de conjunto em frente ao painel dourado do cenário. Uma bela imagem digna do final da semana de inverno da SPFW

Amapô curte a Enya

24 jan

Publicado às 20h30

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Foi a trilha, com o Sail Away, da Enya, no volume certo? O cenário de poliedros coloridos? A platéia de amigos e admiradores das meninas Carolina Gold e Pitti Taliani? Tudo isso e mais uma evolução no trabalho, porque em meio a vestidos de tirinhas, que têm mérito incrível de modelagem e poucas possibilidades de produção e ternos colados, em brancos, azuis, com sapatos de solado alto do Fernando Pires, há belas calças de cós largo e jeans escuros promissores. É verdade que, na maluquice da Amapô, os caras vestiram as calças com a martingale no último furo, deu um franzido surreal. O conjunto foi bom, divertido, sem deixar de ser moda.

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Os poliedros também estão nas estampas, em cores um pouco veranis, o que pode ser solucionado com um casaco de outra grife. Porque as meninas antes de mais nada, want to have fun. Pronto, o espírito dos anos 1990 baixou de vez.

perfil do autor

Iesa Rodrigues

Iesa Rodrigues está na área da moda desde os anos 60, dá aulas no curso de Jornalismo de Moda no Senac Rio, assina a cobertura de moda do Jornal do Brasil e cobre as semanas de moda para o Terra.



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