Croqui da nova coleção da grife Salinas
Nem Rio + 20, nem a crise na Europa, nem alta do dólar. Na semana que vem o assunto do povo da moda é o verão de 2012/2013. Há quem se indigne: como, uma alienação destas, em meio a tantas turbulências econômicas no planeta? Ouvimos a indignação e vamos explicar tudo de novo: Fashion Rio e Fashion Business representam a ponta do iceberg do setor têxtil. O glamour dos desfiles parece inacessível? Mas há neles uma magia que lembra teatro, esta transformação de uma mera camiseta em parte integrante de um look de passarela. A mesma camiseta tecida, tingida e confeccionada dentro da cadeia de produção de um dos maiores setores econômicos do Brasil. Aí a coisa vai ficando séria? Nem vamos continuar comentando sobre a importância de garantir o poder da indústria têxtil, competindo com as importações. Ou lembrar que todas – TODAS – as marcas internacionais estão de olho no nosso consumo.
Assim, prestemos atenção no que a moda vai nos falar na semana que vem. Nem todas as marcas desfilam, há soluções diferentes: na segunda, dia 21, Patricia Viera mostra a coleção no cinema do Fashion Mall; Mara MacDowell será homenageada por um vídeo dentro de um projeto que pretende recuperar a memória da moda e aproveita para mostrar os modelos inspirados nas luzes do Norte, aurora boreal e outros fenômenos gélidos para refrescar o verão. Victor Dzenk encerra a semana do Fashion Business, aí sim, com show, modelos, passarela e música no Centro comunitário da Rocinha. Os demais quase 200 participantes do Fashion Business estarão focados nas vendas na tenda montada no estacionamento do Fashion Mall e no hotel Royal Tulip, prontos para seduzir os mil compradores vips convidados.
No Fashion Rio, deslocado do Cais do Porto para o Jockey Clube da Gávea (ainda bem, porque o Pier Mauá está cercado de obras), os desfiles continuam a ser as atrações. A agenda abre com a moda praia da Blue Man e encerra com a volta da Reserva às passarelas. Há mais praia desta vez, já que a Cia Marítima e a Poko Pano se deslocaram de São Paulo para o Rio, acompanhando Triya, Salinas e Lenny nas propostas para ondas e piscinas.
Na Ausländer a inspiração foi o próprio grupo que faz a marca; Filhas de Gaia mantém a aposta nos volumes e em cores marcantes. A Tótem vai de Oahu a Venice Beach no estilo confortável e estampado, mas a Salinas prefere Crilouros, Guaranisseis, Tupinamboclos, Mamemulatos, a mistura brasileira traduzida em biquínis de modelagem perfeita. Nica Kessler vai por a mesa – ooops, a moda – com estampas das louças portuguesas Vista Alegre e a Maria Bonita Extra amplia o alcance das anquinhas do inverno, transformadas nos peplos que andam contagiando as coleções internacionais.
Enquanto a maioria dos convidados circula nos lounges, show-rooms e nos túneis de São Conrado, que unem a região do Jockey Clube ao local do Fashion Mall, quem se interessa por ouros, brilhantes e pedras preciosas ainda dará uma passada no hotel Fasano, para ver a edição do Jóia Brasil.
O Rio Moda Hype se integra mais dentro da agenda do Fashion Rio. Em lugar da apresentação na véspera dos desfiles de marcas comerciais, o grupo, que se reduziu para cinco criadores – Akihito Hira, André Lucian, Antonio Bizarro, Sann Mascuccy e Martins Paulo – desfila 50 looks (dez cada um) no dia 24, às 11h30.
E as celebridades? Por enquanto, somente a TNG investe em uma, a atriz Isis Valverde, que vai enfrentar a comparação com as modelos de 1m80 na passarela do Jockey Clube. Se ela sorrir, já vai agradar.
Vamos torcer para que a semana do Rio traga ânimo para o setor da moda brasileira. Quanto à eterna questão do excesso de semanas de moda no Brasil, reforço a opinião que a nossa dimensão continental praticamente obriga a esta diversidade e quantidade de eventos. Cada região ou Estado brasileiro tem características diferentes na maneira de fazer, consumir e vestir moda. Um Dragão Fashion, em Fortaleza, vale a viagem de três horas de São Paulo ou Rio para ver de perto; um Minas Trend está se afirmando como um polo lançador de acessórios e moda festa capaz de conquistar lojas internacionais. As Fenim, de Gramado, são vitrines da produção e dos estilos do sul e da moda masculina. E vamos parando por aqui com esta lengalenga de lugares e frequências de semanas de lançamentos. Quem decide onde e quando deve haver evento é o comprador, a verdadeira mola mestra da moda.




Iesa Rodrigues