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Quinta, 7 de junho de 2007, 21h06 

Da passarela às ruas, tendência pode levar anos para virar moda

Fernanda Ezabella
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Calça de cintura alta para o próximo verão. Essa moda pega? Pode demorar, mas você ainda vai comprar uma, se depender da insistência dos estilistas, que há anos vêm subindo a cintura das calças em seus desfiles, como acontece agora, no Fashion Rio, que acaba na sexta-feira.

Assim como essas calças, outras tendências vêm sendo apresentadas nesta temporada de primavera-verão, algumas com mais chances de ganhar a clientela e virar moda disseminada nas ruas daqui a três meses, quando as coleções dos desfiles chegam às araras das lojas. Shorts e macaquinhos, apostas que vêm de outras temporadas, devem ter seu auge no próximo verão.

"Deve ter uns três anos que eu estou falando que a calça de cintura alta vai pegar. Mas daqui mais uns três anos, vai pegar", disse bem-humorada a coordenadora de moda da revista Vogue no Brasil, Adriana Bechara. "Nos anos 80, só se usava cintura alta, não existia cintura baixa. Acredito até que não vai existir mais calça de cintura baixa, é cíclico."

As especialistas em moda dizem que o trajeto entre tendência, moda e decadência dura cerca de três anos. No começo, são as pessoas antenadas, os tais dos modernos, que compram a idéia, às vezes muito antes de chegar na passarela. Uma vez na loja, poucas pessoas investem no novo e, uma vez que a novidade é espalhada, a moda pega nas ruas, tornando-se lugar comum e começando sua decadência.

Neste inverno, não há dúvidas que o hit é a calça skinny, super justa, com bota longa por cima. É o look mais usado nos corredores do Fashion Rio, cuja aposta os estilistas fizeram há mais de um ano.

"Tanto gente especializada, como gente que não é, percebeu e entrou nessa onda. Não tem explicação, é inconsciente coletivo. Tem coisa que pega e coisa que não pega", disse Adriana.

Nova silhueta
Mas quem ainda não tem uma calça skinny, vá com calma. Uma nova silhueta está no ar nas passarelas, como explica a coordenadora de estilo da Colcci, Jessica Lengyel. Sua aposta para o verão são as pantalonas e as calças mais largas, embora a grife pretenda ainda manter as justinhas em suas lojas.

"A calça skinny ainda é um produto que vai continuar vendendo porque as pessoas começaram a comprar há pouco tempo", explicou a estilista. "Poucas pessoas vão começar a comprar as pantalonas, mas daqui a um tempo as pantalonas já vão estar bem comuns", apostou.

Para Lilian Pacce, editora de moda e apresentadora de TV, os macaquinhos e macacões, peças quase obrigatórias nos desfiles desta semana, devem aparecer forte nas ruas, mais de um ano depois das primeiras aparições nas semanas de moda brasileiras.

"No verão passado, ainda era difícil aparecer, mas as pessoas estão começando a entender (macaquinhos e macacões)", disse.

Como exemplo de uma peça que caiu em declínio, após uma superexposição em desfiles e lojas, Lilian cita as batas, hit do verão 2005 e horror dos estilistas de hoje. "A bata é uma praga, uma praga boa até, porque às vezes ela favorece", disse.

"No final de três anos, ela (uma moda) começa a se esgotar. Todo mundo teve, todo mundo usou, todo mundo fez tudo o que podia com aquilo", disse. "Daí, vem uma silhueta nova, vem uma reação mesmo para esgotar aquilo de vez."

Reuters
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