A cor preta, o couro, o dourado e os cortes retos e justos deram a tônica do desfile que teve inspiração no sudeste asiático, na Guatemala, e no Peru, "onde as pessoas vestem a mesma roupa há três mil anos", explicou Rodrigues.
O trabalho de 600 bordadeiras de Brasília também foi exibido em peças que chamaram a atenção. "Para mim, pouco importa os tecidos tecnológicos. Sou estilista que trabalha sobre eles".
Sobre sua busca por uma identidade, o estilista disse que está à procura de um Walter Rodrigues. "O meu trabalho busca minha identidade. O que é Walter Rodrigues? O que eu sou?", filosofou em conversa com jornalistas.
"Sou os anos 30, os anos 70", disse ele explicando o porquê do uso de peças levemente floridas e de mangas soltas.
A coleção ainda trouxe ternos e sobreposições em cinza e cortes masculinos. "Me inspirei nesse universo mas de certa forma as peças continuam femininas".
Modelos com coques e chifres cruzaram a passarela com os cabelos feitos por Celso Nakamura e claramente inspirados nas lãs e no povo da Guatemala. Algumas criações lembram armaduras medievais, tanto ocidentais quanto orientais.
"Para finalizar esse mix do que sou, trouxe o século XIX. Para mim, é um século importante porque as pessoas foram buscar conhecimento e cultura", finalizou ele, justificando a escolha do cenário, o Real Gabinete Português de Leitura.