| Eduardo Monteiro/Fotosite/Divulgação |
 Betty Lago faz pose no desfile da Daspu |
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Em clima de Fashion Rio às avessas, a atriz Betty Lago desfilou na noite de sexta-feira, dia 13, para a Daspu no centro da cidade, no meio da zona de trabalho das prostitutas que produzem a marca.
» Veja fotos do desfile 
Perto dali, no Museu de Arte Moderna, o evento oficial da moda carioca atingia seu ápice, ao receber a top Gisele Bündchen na passarela da última apresentação do dia.
Numa rua estreita de paralelepípedos, ao lado da praça Tiradentes, seis prostitutas desfilaram sobre um tapete lilás salpicado com pétalas de rosas vermelhas.
Elas exibiram a linha "ativismo" da Daspu, que expressa sua luta pela cidadania em camisetas. Uma das peças trazia a frase "mulheres boas vão para o céu, mulheres más vão para qualquer lugar".
Betty Lago, ex-modelo e apresentadora de TV, contou à Reuters que se ofereceu para desfilar assim que ficou sabendo da iniciativa de sexta.
"A moda tem que ser democrática e nada mais democrático do que fazer moda para prostitutas e desfilar na rua cheia de gente", disse.
Curiosos habitués do local e gente do mundo da moda disputavam espaço para ver as prostitutas na passarela. Elas entravam acompanhadas de percurssionistas do bloco Prazeres da Vida e de artistas do Centro de Arte Hélio Oiticica vestidos com parangolés.
Não havia primeira fileira nem ala vip, todos assistiram à apresentação de pé. O cenário era a própria zona de batalha, onde as prostitutas exercem sua profissão diariamente.
"Isto é o anti-Fashion Rio", disse o estudante de Ciências Sociais Ricardo Athayde, 25 anos. "Mas elas não estão querendo contestar a moda, e sim querem criar as próprias roupas."
Maria dos Santos, profissional do sexo há mais de 30 anos, que trabalha na região, disse que, nesta noite, a rua lhe trouxe uma nova emoção.
"Me senti uma top model. Minhas pernas tremiam e fiquei muito emocionada quando as pessoas gritaram meu nome", afirmou a "modelo", que desfilou com a camiseta mais conhecida da Daspu, toda preta com a silhueta de uma mulher dentro de um quadrado lilás.
Segundo a ONG carioca Davida, responsável pela marca, a iniciativa "veio para fortalecer a luta das prostitutas contra o estigma e pela cidadania".
"Quando desfilam, estão falando por si mesmas. A Daspu é um importante passo para virar pelo avesso o preconceito", afirmou Gabriela Leite, coordenadora do grupo Davida e da Daspu, cujo nome é um trocadilho com a grife de luxo paulista Daslu. Para Gabriela, as roupas da Daspu são para todos.
A proposta da marca, que fará seu lançamento nacional em março, é explorar cinco linhas de roupas: lazer, batalha (moda para o dia-a-dia), prazer (lingerie), ativismo e folia (para Carnaval).
Em sintonia com a linha ativismo, as prostitutas aproveitaram para distribuir camisinhas ao público no final do desfile.
"Nossa profissão tem uma vantagem, nós temos as magras, as gordas, as velhas e as jovens. Nós não somos como essas modelos, todas magras", afirmou a prostituta Doroth de Castro, sócia-fundadora da ONG Davida.
Desde o dia 2 de dezembro, quando aconteceu o primeiro desfile da marca no Rio, já foram vendidas 1.000 camisetas. As peças custam de 20 a 25 reais e podem ser compradas pela Internet (http://www.daspu.com.br).
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