Os desfiles de moda não vivem apenas de estilistas e modelos. O Fashion Rio é uma oportunidade para valorizar o trabalho de uma multidão de anônimos ou profissionais cujos nomes aparecem pouco, mas o trabalho está em cada canto. Eles são os costureiros, os produtores, os cenógrafos e cenotécnicos, mas também os faxineiros, seguranças ou os condutores dos carrinhos de golf.
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Percorrer as longas distâncias entre um armazém e outro do Cais do Porto exige fôlego. Luiz Garbin, 56 anos, sabe disso e está sempre por perto para dar uma ajuda. O trabalho dele é dirigir um dos carrinhos de golf que leva os famosos, jornalistas e anônimos de cá pra lá.
Garbin não reclama da função e nem da condição de anônimo num evento salpicado de celebridades. Ele gosta de dirigir o carrinho que tem poupado a energia de muita gente. Nas viagens, vez ou outra, acompanha o vai e vem das modelos. Entre os famosos que transportou, lembra com simpatia da atriz Letícia Spiller e do produtor e diretor de shows Luiz Carlos Miéle. Sobre moda? Bem... ele acha que "não têm mais idade para se importar com isso".
Ricardo de Souza é outro anônimo sem o qual o Fashion Rio não seria o mesmo. No caso dele, quando o trabalho não aparece é porque as coisas correm bem. Souza é o supervisor de segurança. Apesar de coordenar uma equipe muito grande, "está tudo muito organizado e isso facilita", garante.
Segundo ele, uma das maiores dificuldades do evento era controlar os fotógrafos afoitos, mas dessa vez "eles entenderam qual é o esquema". Além do trabalho no Fashion Rio, Souza atende uma patroa especial: Gisele Bündchen. Sobre a über model ele só tem elogios a fazer: "numa escala de um a dez ela é mil", elogia. Souza confidenciou ao Terra que Gisele é "humilde, super simples" e é do tipo que gosta de conversar e valoriza a troca de idéias com quem trabalha com ela.
Fábia Pereira tem a tarefa de manter o banheiro feminino em ordem. Ela adora participar do evento, bater papo com as outras funcionárias e ver o movimento. Quem mais gostou de ver por ali? A apresentadora Leda Nagle. Por conta do trabalho, Fábia diz que não pode "ver as modas" do Fashion Rio.
As roupas fazem o show, mas as modelos e estilistas também garantem o espetáculo. E para que as estrelas de um desfile de moda ganhem o destaque que merecem existe o trabalho dos cenógrafos. São eles que preparam a moldura para as grandes figuras da moda pintarem na passarela com todo o glamour.
Cléssio Régis coordena a equipe de cenógrafos que, segundo ele, "faz 90% dos desfiles do Fashion Rio". Escultor e pintor autodidata, Cléssio trabalha com o diretor artístico Zee Nunes e já fez mais de 180 desfiles em 12 edições do evento.
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Perguntado sobre qual deu mais trabalho, ele relembra o desfile da Colcci do verão de 2007. Na ocasião, teve de fazer ondas com lâminas de isopor que tomavam toda a arquibancada da maior tenda do Fashion Rio.
Esse ano, Cléssio preparou desfiles como os da Lenny, Coven e Redley, do lado externo do Cais do Porto, a 1,5 metros da água. A inspiração foi o trabalho do arquiteto Oscar Niemeyer. Dedicado, o cenógrafo trabalha sempre sobre pressão. "Qualquer erro é fatal. Não temos o direito de errar", sentencia. O tempo médio para montar os cenários é de apenas meia hora.
Cléssio aprovou a mudança do Fashion Rio para o Cais do Porto e, ao comparar passado e presente, não esconde a predileção: "antigamente os cenários eram muito básicos e com o tempo ganharam um banho de loja".