
Atualizada às 18h50 Iesa Rodrigues
Em geral, comento mais as roupas, as passarelas, as tendências. Hoje, tenho que falar do local do desfile da Redley. A maravilhosa Floresta da Tijuca está longe de ser ideal para um evento. Longe da Marina da Glória, suposto centro de atividades do Fashion Rio; sem sinal de celular nenhum; sem estacionamento e difícil como ponto de vans e outros veículos. Sem falar nos pobres bichos residentes, que são obrigados a ouvir os muitos decibéis da trilha com Milton Nascimento ou na tentativa de impor uma névoa artificial no ambiente.
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Pronto: deu para entender que foi um local estilo nada a ver? Espero que o próximo desfile de verão não seja no piscinão de Ramos, na linha vermelha ou dentro da Central do Brasil, às 18h.
Agora, vamos à minha missão: a moda. A equipe dirigida por Jurgen Oeltjenbruns segue formando um conceito de roupa moderna, confortável e casual. O aspecto parece pesado, invernal demais, graças às cores escuras e aos acessórios, grossas echarpes e luvas de tricô. Ok, podemos dispensar estes aquecimentos, mas quem dispensaria uma bota bárbara, fechada com tiras largas de velcro? Tudo depende do resultado: se ficou bonito, a gente usa até roupa de esquimó.
Os casacos são soltos, montados em patchwork de formas retas, ou com estruturas debruadas e arrematadas com pespontos orgânicos, seja lá o que for isso. Da cintura para baixo, predominam as calças derivadas das cargos, militares, esportivas, enfim, esta geração de modelos versáteis e funcionais, cheias de bolsos e com modelagens confortáveis. Esta visão abrange as linhas femininas e masculinas.
Talvez ainda não seja desta vez que a Redley conquiste adeptas fanáticas pela sua moda feminina porque, apesar de bonita, exibe um excesso de técnicas artesanais, macramês, tricôs de seda e texturas. Estes detalhes são lindos conceitualmente, expressam a preocupação de unir design e feito à mão, mas marcam demais o look. A parte unissex da coleção vai agradar mais. Uma calça ampla, um blusão longo e uma regata listrada, nas cores neutras ou na estampa néo-camuflada são fortes candidatas a sucessos de inverno.
Para os homens, a bermuda é quase onipresente, combinada com casacos com recortes ou no patchwork de linhas retas. Engraçado, eles não sentem frio nas pernas?
Iesa está na área da moda desde o final dos anos 60, quando começou no Jornal do Brasil como ilustradora. Passou à produção e redação nos anos 70. Trabalhou na revista Desfile, na sucursal das femininas da Editora Abril em 80, mas voltou ao JB como editora da revista Domingo.
Há 12 anos abriu o site www.estiloiesa.com.br e em 2001 criou o curso de Jornalismo de Moda no Senac Rio.
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