Iesa Rodrigues

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Segunda, 12 de janeiro de 2009, 14h50 Atualizada às 18h50

Redley mostra inverno na floresta

Iesa Rodrigues

Iesa Rodrigues Em geral, comento mais as roupas, as passarelas, as tendências. Hoje, tenho que falar do local do desfile da Redley. A maravilhosa Floresta da Tijuca está longe de ser ideal para um evento. Longe da Marina da Glória, suposto centro de atividades do Fashion Rio; sem sinal de celular nenhum; sem estacionamento e difícil como ponto de vans e outros veículos. Sem falar nos pobres bichos residentes, que são obrigados a ouvir os muitos decibéis da trilha com Milton Nascimento ou na tentativa de impor uma névoa artificial no ambiente.

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Pronto: deu para entender que foi um local estilo nada a ver? Espero que o próximo desfile de verão não seja no piscinão de Ramos, na linha vermelha ou dentro da Central do Brasil, às 18h.

Agora, vamos à minha missão: a moda. A equipe dirigida por Jurgen Oeltjenbruns segue formando um conceito de roupa moderna, confortável e casual. O aspecto parece pesado, invernal demais, graças às cores escuras e aos acessórios, grossas echarpes e luvas de tricô. Ok, podemos dispensar estes aquecimentos, mas quem dispensaria uma bota bárbara, fechada com tiras largas de velcro? Tudo depende do resultado: se ficou bonito, a gente usa até roupa de esquimó.

Os casacos são soltos, montados em patchwork de formas retas, ou com estruturas debruadas e arrematadas com pespontos orgânicos, seja lá o que for isso. Da cintura para baixo, predominam as calças derivadas das cargos, militares, esportivas, enfim, esta geração de modelos versáteis e funcionais, cheias de bolsos e com modelagens confortáveis. Esta visão abrange as linhas femininas e masculinas.

Talvez ainda não seja desta vez que a Redley conquiste adeptas fanáticas pela sua moda feminina porque, apesar de bonita, exibe um excesso de técnicas artesanais, macramês, tricôs de seda e texturas. Estes detalhes são lindos conceitualmente, expressam a preocupação de unir design e feito à mão, mas marcam demais o look. A parte unissex da coleção vai agradar mais. Uma calça ampla, um blusão longo e uma regata listrada, nas cores neutras ou na estampa néo-camuflada são fortes candidatas a sucessos de inverno.

Para os homens, a bermuda é quase onipresente, combinada com casacos com recortes ou no patchwork de linhas retas. Engraçado, eles não sentem frio nas pernas?


Iesa está na área da moda desde o final dos anos 60, quando começou no Jornal do Brasil como ilustradora. Passou à produção e redação nos anos 70. Trabalhou na revista Desfile, na sucursal das femininas da Editora Abril em 80, mas voltou ao JB como editora da revista Domingo.

Há 12 anos abriu o site www.estiloiesa.com.br e em 2001 criou o curso de Jornalismo de Moda no Senac Rio.

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