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Fashion Rio terá cota para modelos negros em desfiles

5 nov 2013
20h23
atualizado às 20h40
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A empresa organizadora do Fashion Rio assinou nesta terça-feira (05) um compromisso de recomendação aos estilistas que incluam 10% de modelos negros e indígenas em seus desfiles, que começam nesta quarta (06) e vão até sábadp (09). O acordo foi assinado hoje entre representantes de Luminosidade, que organiza o Fashion Rio e o São Paulo Fashion Week, com a Defensoria Pública do Rio de Janeiro e a ONG brasileira Educafro, que defende os direitos dos negros.

<p>Modelo em desfile da Apoena durante a edição verão 2014 do Fashion Rio</p>
Modelo em desfile da Apoena durante a edição verão 2014 do Fashion Rio
Foto: Roberto Filho / AgNews

O compromisso de promover a cota racial é voluntário, mas a Defensoria Pública anunciou que vigiará seu cumprimento na edição da Fashion Rio, que vai até domingo. O acordo é similar ao que se aplicou em São Paulo entre 2009 e 2012, que não foi renovado pela Luminosidade, o que gerou protestos de associações de negros. Os estilistas que não aplicarem a cota racial "estarão submissos a medidas legais", de acordo com um comunicado da Defensoria Pública.

A empresa organizadora enviará ao órgão uma lista com o nome e a raça dos modelos que participarem de todos os desfiles até 30 dias úteis depois do evento. A ONG Educafro se comprometeu a não organizar protestos na entrada dos desfiles, frequentes em anos anteriores. Uma porta-voz da Educafro, a coordenadora pedagógica Joana Raphael, disse à agência Efe que o acordo foi "razoável" dada a proximidade da semana de moda, mas considerou que a cota de 10% é "muito pouco", considerando o grande percentual de negros na sociedade brasileira.

"Em 2014 queremos muito mais que isso. Pediremos um mínimo de 20% como novo ponto de partida. Se 51% da população brasileira é negra, queremos caminhar em direção a igualdade", afirmou Joana. A ativista explicou que a ausência de negros nos desfiles mostra que "a cultura da escravidão se mantém" no Brasil pela falta de educação. "Foi introduzido na mente do brasileiro que só é bom o que é branco, europeu, americano.", comentou a porta-voz de Educafro.

EFE   
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