Iesa Rodrigues

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Iesa Rodrigues

Sábado, 8 de novembro de 2008, 23h19 Atualizada às 12h11

Osklen e Lenny encerram com chave de ouro

Iesa Rodrigues Mesmo para quem faz o circuito dos desfiles no hemisfério norte, este foi inesquecível. Começando pela sensação de privilégio por estar na beira do mar, com barquinhos de pesca próximos da arrebentação, ao lado de coqueiros ícones de Ipanema, dentro de uma tenda com cobertura de sapê, tão linda que dá pena saber que deve ser desfeita. Esta era a ambientação, uma das mais sofisticadas que já vi, com espaço de lounge para a festa, iluminado por velas, uma sala de desfiles com arquibancada de futons atoalhados brancos e, na areia, entre o mar e a tenda, sofás de Bali cercados de pranchas de surfe.

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Desculpe quem esperava uma descrição de moda, mas este cenário foi essencial, representava o espírito do final do Rio Summer. Agora, vamos ao que fizeram Oskar Metsavaht e Lenny Niemeyer.

Oskar, na Osklen, tirou de uma Ipanema dos tempos da Bossa Nova e dos tempos atuais o colorido neutro de dias nublados, o preto e branco das calçadas de pedras portuguesas, em duas-peças urbanos, com direito a capuz, drapeados, alguns trabalhos de alfaiataria, como lapelas no cós de biquínis.

Mostrou os coqueiros favoritos, em estampa localizada nas bermudas de Tyvek, o não-tecido que parece papel, e afirmou o talento da e-brigade, que luta por causas ecológicas no reaproveitamento de fitas de coleções passadas, em um patchwork em saias, que ficou tão bonito que virou também uma estampa de listras variadas.

Nos complementos, a sandália Ipanema, desenvolvida para a Grendene, transformada com tiras amarradas; as bolsas gigantes, em pele de salmão e os chapéus panamá, tão usados nestes três dias de vento e mormaço no Forte de Copacabana, viraram manguinhas de vestidos e viseiras amarradas com pedaços de malha. A coleção cumpriu o objetivo de ser cool, cheia de detalhes que valem a pena serem vistos de perto.

Depois da moda da Osklen, o impacto dos maiôs e biquínis de Lenny Niemeyer. Incrível, como depois de vermos tantas grifes de moda praia alguém consiga surpreender, usando as mesmas modelos, quase a mesma cartela. Mas Lenny sabe domar a Lycra, e dá uma nobreza especial ao setor praiano.

A inspiração nas paredes caiadas tem este efeito sobre o tecido dos modelos, um branco irregular. As estampas vêm com bambus rabiscados, asas de borboleta e repetem as cobras, sem hesitar. Também vimos muitos drapeados, mas nenhum como os dela, que se franzem em torno de círculos nas costas ou na frente de bustiês.

Os amarrados ficam na proporção certa, caindo nas costas. Os vestidinhos, que já fazem parte das coleções, podem ser estampados com cores de borboleta e barra pregueada, ou parecem chamar de volta a chuva, porque têm a referência nas capas trench-coat. Mas o tamanho reduzido dos biquínis não deixa ninguém esquecer: Lenny entende de verão brasileiro.


Iesa está na área da moda desde o final dos anos 60, quando começou no Jornal do Brasil como ilustradora. Passou para a produção e redação nos anos 70. Trabalhou na revista Desfile, na sucursal das femininas da Editora Abril em 80, mas voltou ao JB como editora da revista Domingo.

Há 12 anos abriu o site www.estiloiesa.com.br e em 2001 criou o curso de Jornalismo de Moda no Senac Rio.

Especial para Terra

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