"À porta fechada". A tradução em português da expressão francesa Huis Clos, nome de uma peça de Jean Paul Sartre e de uma das marcas mais chiques e ao mesmo tempo casuais do Brasil, pode exprimir o que se passava na vida da estilista Clô Orozco. Nunca se sabe o que se passa na mente e na vida particular de cada um.

Que a moda brasileira não está fácil, ninguém duvida. Não fosse assim, as grifes não teriam de voltar tanto seu foco para o lado comercial, mesmo nos desfiles, que muitas vezes pedem mais ideias conceituais. Unir os dois lados é sempre muito bom.

Sempre atenciosa, simpática e prestativa com a imprensa, Clô não resistiu à pressão de ver sua marca, fundada em 1977, começar a sucumbir aos sabores do mercado. E isso acontece justamente entre as semanas de moda de São Paulo, que terminou no último dia 22, e Rio de Janeiro, que começa dia 15 de abril. Nesse hiato de tempo, como nunca houve até agora,  para reacomodação do calendário brasileiro, o mundo fashion é surpreendido com essa notícia chocante.

Chocante, sim, mas que sirva de reflexão sobre como as mentes e as almas sensíveis estão preparadas, ou não,  para enfrentar momentos em que a razão deve imperar. Vai Clô Orozco e sua moda refinada, chique e absolutamente usável, mas que não aguentou as demandas do mercado brasileiro.

O mundo fashion está de luto. Que a morte de Clô Orozco não seja em vão.